O que diz a ciência sobre os mosh pits

Escrito em 14/02/2026
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Pesquisadores recorrem à física em estudo que revela a natureza das famosas "rodas" em shows de metal extremo e punk

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Mosh pit (Foto: Luis Carbonell Carbo / Redferns via Getty Images)

O moshing (ou mosh pit) é frequentemente visto por observadores externos como um caos desordenado e violento. Todavia, estudos científicos revelam que o comportamento do público em festivais de metal extremo e punk segue leis matemáticas e físicas previsíveis — assemelhando-se ao movimento de partículas em gases e fluidos.

Uma pesquisa da Universidade de Cornell, intitulada Collective Motion of Humans in Mosh and Circle Pits at Heavy Metal Concerts (Movimento coletivo de pessoas em rodas punk e mosh pits em shows de heavy metal, em português), analisou vídeos de shows para entender a dinâmica dessas aglomerações (via podcast The Rest is ScienceMetal Hammer).

Os especialistas descobriram que, sob condições extremas — música alta (a partir de 130 decibéis) e ritmos acelerados (acima de 300 batidas por minuto) —, os participantes deixam de agir como indivíduos com “vontades próprias” e passam a se comportar, basicamente, como partículas em um sistema físico.

Para estudar o fenômeno, os pesquisadores criaram uma simulação computacional chamada MASH (Mobile Active Simulated Humanoids). O modelo demonstrou que o mosh pit tradicional funciona como um “gás em equilíbrio”, onde as pessoas colidem de forma aleatória, seguindo a distribuição de Maxwell-Boltzmann.

Hannah Fry, uma das pesquisadoras, explica:

“Existem duas tendências diferentes que as pessoas apresentam quando estão em situações de multidão. Ou tendemos a copiar o que as pessoas ao nosso redor estão fazendo, um comportamento de bando, que é o que vemos quando grandes bandos de pássaros copiam a velocidade e a direção médias de seus vizinhos. E os humanos fazem a mesma coisa, certo? Se a multidão está se movendo em uma determinada direção, tendemos a copiar o que está acontecendo imediatamente ao nosso redor.”

Ela continua:

“Mas também temos movimentos mais aleatórios e imprevisíveis. Quando mais pessoas entram, elas se organizam nesse estado de vórtice, nesse tipo de movimento circular, que você vê exatamente como em fluidos, onde as pessoas meio que giram junto com o público, e isso é como… esses círculos de mosh que surgem do nada. (…) É simplesmente algo que acontece quando você para de se comportar como pessoa e começa a se comportar como partículas.”

A origem dos mosh pits

Historicamente, o moshing evoluiu do “pogo” do punk de Londres de meados dos anos 1970 para o “slam dancing”, típico da Califórnia em estilos com hardcore punk e thrash metal na década de 1980, até se tornar um fenômeno global.

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