Esquecível, ‘O Mandaloriano e Grogu’ é a prova de que ‘Star Wars’ não é para todo mundo

Escrito em 19/05/2026
Henrique Nascimento (@hc_nascimento)

Estrelado por Pedro Pascal (Quarteto Fantástico: Primeiros Passos), longa é o primeiro da franquia a chegar aos cinemas desde 2019

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Antes de o leitor começar a ler este texto, é imprescindível que eu esclareça: nunca assisti a The Mandalorian, série anterior a O Mandaloriano e Grogu, que chega aos cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira, dia 21 de maio. Além de não ser fã de Star Wars ao ponto de acompanhar histórias paralelas à principal, também queria testar a experiência de assistir ao longa, que agora coloca na telona personagens desenvolvidos bem longe dela, e ver se ele funcionava independentemente. Felizmente, funciona — mas isso não o exime de problemas.

Em O Mandaloriano e Grogu, que se passa após a queda do Império Galáctico, retratada em Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi (1983), acompanhamos o misterioso Mandaloriano (Pedro PascalQuarteto Fantástico: Primeiros Passos), um caçador de recompensas a serviço da Nova República. Junto com o seu aprendiz, o fofíssimo bebê Grogu, ele viaja pela galáxia em busca de fugitivos imperiais, em um esforço para evitar que o Império consiga se reerguer novamente.

Porém, antes que possa ir atrás do seu próximo alvo, o misterioso comandante CoinMando precisa encarar uma missão diferente: viajar a uma galáxia distante e resgatar Rottao Hutt (Jeremy Allen WhiteO Urso), filho do lendário gângster alienígena Jabba, o Hutt, o que dá início a uma aventura muito mais perigosa do que o mandaloriano e Grogu estavam preparados para viver.

Esquecível, ‘O Mandaloriano e Grogu’ é a prova de que ‘Star Wars’ não é para todo mundo (Divulgação)

Primeiro longa de Star Warsdesde A Ascensão Skywalker (2019), que encerrou a terceira trilogia da franquia dividindo os fãs, O Mandaloriano e Grogu chega aos cinemas com a missão de reconquistar o público e provar que há vida além dos Skywalker. Porém, é melhor nivelar as expectativas antes de entrar na sala de cinema.

Se você é fã de Star Warse, especialmente, se já acompanha as aventuras do Mandaloriano e o seu adorável aprendiz, provavelmente vai adorar o novo filme. No entanto, O Mandaloriano e Grogu não tem aquela magnitude apresentada mesmo em outros spin-offs cinematográficos da franquia, como Rogue One: Uma História Star Wars(2016), um dos melhores filmes de Star Wars.

Em certo momento, a aventura especial até flerta com a ideia de ser um filme de detetive, o que poderia ser um caminho interessante para mostrar novas possibilidades dentro da franquia — como o Universo Cinematográfico da Marvel tem feito em produções recentes, como a minissérie WandaVision (2021), inspirada em sitcoms, e o especial Lobisomem na Noite (2022), baseado em clássicos filmes de terror de monstros —, mas logo volta ao padrão Star Wars e, apesar de ser um filme divertido, é pouco memorável.

Além de contar com uma trama esquecível, O Mandaloriano e Grogu não consegue escapar da narrativa episódica de The Mandalorian, o que afeta o ritmo do filme. Apesar de Dave Filoni, presidente da Lucasfilm, que também atuou como corroteirista e produtor do filme, garantir que esse não é o mesmo caso de Moana 2 — que era uma série para o Disney+ e, de última hora, foi transformado no longa lançado em 2024 —, não é o que parece.

É notável como o filme foi construído em arcos — com seus começos, meios e fins — e nenhum deles se inicia antes que o outro esteja finalizado, exatamente como aconteceria em uma série, o que gera estranhamento. Não é uma construção proposital, como em Kill Bill(2003/2004), por exemplo, mas um “acidente” calculado por pessoas que, nos últimos anos, acostumaram-se a contar a história daquela forma. Não causa estrago, mas afeta a experiência, sim, porque a sensação é de que O Mandaloriano e Grogu está sempre recomeçando.

Esquecível, ‘O Mandaloriano e Grogu’ é a prova de que ‘Star Wars’ não é para todo mundo (Divulgação)

Outro problema é que, por ser uma sequência, o longa não se preocupa em desenvolver o relacionamento entre o espectador e os personagens, nem mesmo explorar a relação entre Mando e Grogu, o que dificulta o envolvimento, principalmente com o personagem de Pedro Pascal.

Fofo e engraçado, o Baby Yoda é fácil de gostar, mas o caçador de recompensas, que fica com o rosto coberto por uma máscara durante todo o filme, é difícil de simpatizar. Mando não é nenhuma fonte de carisma e não há nada que realmente nos leve a nos importar com ele em momentos-chave do filme, incluindo uma sequência que, imediatamente, me remeteu a um corte semelhante no ainda recente Devoradores de Estrelas, mas sem a emoção que o longa estrelado por Ryan Gosling (Barbie) foi capaz de provocar.

Enfim, O Mandaloriano e Grogu é um filme seguro, que diverte, mas não fica com a gente por muito tempo. Se a ideia era honrar esses personagens levando-os para os cinemas, que foi onde Star Wars nasceu e se consagrou como uma das maiores franquias da história, como justificou Dave Filoni, está feito. Mas se a ideia era tirar o mato e abrir novos caminhos para esse universo nas telonas, então ainda estamos à procura de um facão mais afiado.

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