A reunião especial de reconhecimento terá transmissão simultânea pelo Youtube
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A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza, na próxima segunda-feira, 11, uma reunião especial em homenagem ao rapper Djonga. A cerimônia reconhece sua trajetória artística e sua atuação na luta contra o racismo e as desigualdades e pela valorização da cultura mineira. Requerida pela deputada Ana Paula Siqueira, a reunião acontece às 19h, no Plenário Juscelino Kubitschek, com transmissão ao vivo pelo YouTube e pela TV Assembleia. A iniciativa celebra não apenas o artista, mas também a força da população negra, periférica e da juventude.
A iniciativa almeja celebrar não apenas o artista, mas também a força da população negra, periférica e da juventude. Um dos mais importantes nomes da cena brasileira de rap, Djonga nasceu na Favela do Índio, em Belo Horizonte. Criado nas ruas dos bairros São Lucas e Santa Efigênia, na Região Leste da capital mineira, o artista ransformou suas vivências em letras carregadas de emoção e de verdade, transformando dor em poesia e injustiça em protesto. A trajetória do também escritor e compositor reflete a denúncia das desigualdades estruturais que ainda impactam essas comunidades, e reforça a importância da cultura como ferramenta de transformação social.
Djonga reconhece o momento como um movimento de resistência: “Cada conquista minha, principalmente de quem vem de onde eu vim, é resultado de muitas quedas, frustrações e medos, que a gente consegue reverter em fé ou é obrigado a isso, porque a falta de fé na vida é um privilégio que só quem sempre teve tudo pode ter. As portas que hoje estão abertas, umas eu arrombei, outras abri com jeitinho, mas a maioria delas só está como está hoje graças ao esforço dos meus ancestrais, dos mais distantes aos mais contemporâneos. Tomara que, no futuro, lembrem do que estamos fazendo e dos espaços que estamos ocupando ou, se não se lembrarem, que possam usufruir de uma vida mais leve e propositiva que a minha”
Para a deputada Ana Paula Siqueira, o reconhecimento marca um avanço histórico. “Demorou mais de 300 anos para Minas Gerais eleger uma mulher negra como deputada estadual. Eu chego com o compromisso de amplificar vozes que, historicamente, foram amordaçadas e silenciadas e de garantir vez a corpos que não se viam representados”, afirmou. “A reunião especial na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para além de homenagear o Djonga, em reconhecimento à sua brilhante atuação na cultura, no hip hop e na luta antirracista, é um marco, um divisor de águas. É reconhecimento à população negra, periférica e à juventude. Um movimento de resistência e coragem para denunciar o quanto a desigualdade ainda segue impactando e matando essa parcela significativa e fundante da população. Quando um de nós avança, toda a estrutura da sociedade se move. Porque, quando sonhar é possível, a mudança começa a acontecer.”
O momento almeja evidenciar que as mesmas mãos negras e periféricas que, com papel e caneta, escrevem versos também escrevem leis. Reforça, ainda, que a política institucional não seguirá sem essa presença, pois não existe democracia sem a efetiva participação dessas vozes. “Cola na assembleia para receber essa homenagem comigo, porque, no fundo, essa homenagem é para vocês também”, convida o artista.
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