Morre Dolly Parton, lenda do country, aos 80 anos

Escrito em 25/08/2026
Felipe Grutter (@felipegrutter)

Ícone da música passou por alguns problemas de saúde no último ano

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Dolly Parton (Foto: Terry Wyatt/WireImage)

Lenda do country, responsável por músicas de sucesso como “Here You Come Again“, “9 to 5“, “I Will Always Love You” e “Jolene“, Dolly Parton morreu aos 80 anos. Quem confirmou a notícia foi Brian Seaver, sobrinho da cantora, nas redes sociais.

“Estou representando as famílias Parton e Owens hoje para anunciar o falecimento da minha tia, Dolly Rebecca Parton Dean, irmã, mana e avó para uma geração e Gigi para a próxima”, diz ele em vídeo publicado no Instagram. “Este anúncio em vídeo é algo que Dolly me pediu anos atrás, antes que eu assimilasse completamente a realidade. Como chefe de segurança dela por mais de duas décadas, cargo que meu pai, Larry, ocupou antes de mim, imaginei a intensidade deste momento, mas só agora a senti de verdade.”

É uma honra, uma honra que se mistura com absoluto orgulho e grande tristeza. Mas a tristeza está conosco, não com Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, certamente recebida por Carl, seus pais e inúmeras outras pessoas que a observaram e ansiaram por encontrá-la nos céus.

Vale lembrar que, na última sexta, 21, Dolly Parton falou à People sobre os problemas de saúde que passou no último ano, especialmente após a morte de seu marido, Carl Dean, em março de 2025.

“Como compartilhei em mensagens de vídeo ao longo do último ano, estou lidando com alguns problemas de saúde aos quais simplesmente não dei atenção enquanto cuidava do Carl“, afirmou. “Sabe, esta não é a primeira vez que preciso lidar com algo assim. No início dos anos 1980, fiquei de cama por vários meses com problemas ginecológicos e também estava lutando contra o meu peso na época, então não é como se eu não tivesse passado por momentos difíceis com a minha saúde.”.

“Como vivemos em um mundo 24 horas por dia, sete dias por semana, com as redes sociais, tudo é amplificado de maneiras que não eram anos atrás. Eu costumava brincar que era a Rainha dos Tablóides, mas agora acho que posso dizer que sou a Rainha da Inteligência Artificial das Redes Sociais!”, continuou. “Mas falando sério, mesmo ainda me recuperando, continuo trabalhando! Vocês me conhecem — como já disse várias vezes — me coloquei em uma situação difícil com meus sonhos e ainda tenho tantas coisas que quero realizar, então vou continuar trabalhando enquanto puder para ver tudo se concretizar.”

Vida e obra de Dolly Parton, segundo a Rolling Stone

Por Stephen L. Betts e Jonathan Bernstein

Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, quarta dos 12 filhos de Robert Lee e Avie Lee Owens Parton, em uma cabana de um único cômodo às margens do rio Little Pigeon. Parton cresceu em situação de pobreza rural: a família não tinha encanamento nem eletricidade, e sua mãe costurava vestidos para a filha cheia de energia — experiência que inspirou a música autobiográfica “Coat of Many Colors”. “Mamãe costumava costurar todas as nossas colchas, cortinas para as janelas, reformar nossas roupas e fazer roupas com sacos de ração”, contou Parton à Rolling Stone em 2021. “Essa música significa muito para mim de tantas maneiras e por tantos motivos. É mais uma filosofia do que uma música.”

A família de Parton era profundamente musical — eles cantavam na igreja e vários parentes tocavam instrumentos — e, desde criança, Parton sonhava abertamente com o estrelato. Seu tio Bill Owens lhe deu um violão Martin quando ela tinha oito anos e ajudou a conseguir para ela uma oportunidade de cantar na televisão local. “Era tudo ali por perto de casa e na igreja”, disse Parton sobre a musicalidade da família em 1978. “Fui a primeira a ficar famosa fazendo isso, mas há muitos deles que são muito mais talentosos do que eu. Eu simplesmente tinha essa garra e todos esses sonhos e planos.”

Desde cedo, Parton se fascinou pelo tipo de narrativa que um dia moldaria suas imaginativas composições. “Quando eu era pequena, não íamos ao cinema, então eu criava minhas próprias histórias”, escreveu Parton em seu livro de 2020, Songteller: My Life in Lyrics. “Eu adorava ir a cemitérios. Lia o nome de alguém em sua lápide ou via o túmulo de uma criança e ficava imaginando qual teria sido sua história.”

Aos 14 anos, ela gravou seu primeiro disco, “Puppy Love”, e, durante sua primeira aparição no Grand Ole Opry, foi apresentada por Johnny Cash. Em 2 de junho de 1964, um dia depois de se tornar a primeira pessoa de sua família a concluir o ensino médio, a jovem de 18 anos pegou um ônibus para Nashville. “Embarquei em um ônibus Greyhound com meus sonhos, meu velho violão, as músicas que havia escrito”, escreveu Parton em sua autobiografia de 1994. “E todos os meus outros pertences em um conjunto de malas combinando — três sacolas de papel da mesma mercearia.”

Parton passou seus primeiros anos em Nashville escrevendo para outros artistas, e uma de suas primeiras parcerias de composição com o tio Bill, “Put It Off Until Tomorrow”, foi gravada por Loretta Lynn e Bill Phillips em meados dos anos 1960. Ao mesmo tempo, Parton começou a gravar composições próprias mais voltadas ao pop, como “I Wasted My Tears”, de 1965. Em menos de três anos após se mudar para Nashville, Parton gravava seu álbum de estreia pela Monument Records, lançado em 1967, e aparecia no programa de televisão Porter Wagoner Show. Ela lançou o LP Just Because I’m a Woman, de 1968, pela RCA Records e, no ano seguinte, tornou-se oficialmente integrante do Opry.

Um dos primeiros exemplos da composição ousada e intransigente de Parton foi “Down From Dover”, de 1969, uma música perturbadora (e controversa) na qual uma mulher abandonada e grávida dá à luz uma criança natimorta. Marianne Faithfull foi uma das artistas que posteriormente gravaram sua própria versão, mas a música, para grande decepção de Parton, nunca emplacou. “Eu teria pensado que [ela] seria um sucesso”, disse Parton posteriormente, “e ninguém se importa.”

Assim que Parton se tornou uma das poucas e proeminentes artistas mulheres da música country, começou uma carreira marcada pela necessidade de enfrentar o sexismo estrutural da indústria musical e do entretenimento. “Basicamente, existem dois tipos de homens com quem você precisa lidar nos negócios”, escreveu Parton em 1994. “Os que querem tirar seu dinheiro e os que querem transar com você, ponto final.” Sua relação com Wagoner, porém, era de apoio e incentivo. O veterano hitmaker country deu a Parton sua grande oportunidade ao escalá-la para seu programa, e os dois se tornaram frequentes parceiros de duetos. Eles lançaram 13 álbuns e venceram três vezes o prêmio da CMA de Dupla Vocal do Ano.

“Porter e eu trabalhamos juntos por muitos, muitos anos”, relembrou Parton à Rolling Stone em 2021, “e Porter sempre esteve envolvido na produção e trabalhando com os engenheiros e músicos, garantindo que eles fizessem tudo da maneira que ele queria e como achava que eu gostaria.”

Mas, depois de sete anos, Parton estava pronta para seguir seu próprio caminho e anunciou sua saída do programa de Wagoner, encerrando a parceria profissional entre os dois ao escrever a emocionante “I Will Always Love You”, que chegou ao topo das paradas country em 1974. A música, segundo Parton certa vez, foi “uma espécie de negociação quando as coisas estavam muito difíceis entre nós e ele não me ouvia… Eu toquei a música e ele chorou, e isso resolveu os problemas entre nós e tornou mais fácil para eu conseguir ir embora”. Em 1982, ela levou a música novamente ao primeiro lugar com uma versão para a trilha sonora de sua comédia A Melhor Casa Suspeita do Texas. Em 1995, três anos depois de a canção se tornar um sucesso histórico na voz de Whitney Houston, Parton a gravou em dueto com Vince Gill.

Na época em que Parton escreveu “I Will Always Love You” (segundo a lenda, no mesmo dia), ela também compôs uma música sobre o flerte inocente de seu marido com uma caixa de banco. “Ela ficou terrivelmente encantada com meu marido”, disse Parton em 2008, “e ele simplesmente adorava ir ao banco porque ela lhe dava tanta atenção. Era meio que uma piada recorrente entre nós — quando eu dizia: ‘Poxa, você está passando muito tempo no banco. Não acredito que temos tanto dinheiro assim.’”

Essa música era “Jolene”, que se tornou o segundo single de Parton a chegar ao primeiro lugar da parada country após seu lançamento no outono de 1973. Com seu riff de guitarra hipnótico e pulsante e o desesperado refrão ascendente construído em torno do simples título de duas sílabas da música, “Jolene” logo se tornou a canção símbolo de Parton.

Outros primeiros sucessos solo a alcançar o primeiro lugar nas paradas incluíram “Joshua”, “The Bargain Store” e “Love Is Like a Butterfly”, tema de abertura da própria série de Parton, exibida em syndication por uma temporada a partir de 1976.

À medida que sua estrela crescia na música country, Parton planejava movimentos que, segundo ela, não afastariam os fãs do gênero, mas os levariam junto nessa jornada. O primeiro deles veio com “Here You Come Again”, de 1977, faixa-título de seu primeiro álbum a vender mais de um milhão de cópias e que chegou ao Top 3 das paradas pop. “É uma música tão boa que até um macaco poderia transformá-la em um sucesso”, disse Parton sobre sua ascensão no pop no ano seguinte, em 1978. “Bem, você está diante de um macaco de um milhão de dólares.”

Parton encarava suas ambições no pop e no mainstream com um forte senso de intencionalidade e autoconsciência. “Essa é uma nova liberdade para mim”, disse Parton à Rolling Stone em 1977. “É uma expressão pessoal completa e a coragem de ser ousada, de realmente enxergar a música da maneira como eu a sinto… Tenho 30 anos. Quer dizer, se você deixar tantos anos passarem, perde sua chance, e acho que estou vivendo minha temporada agora.”

Em 1978, ela foi eleita Entertainer of the Year pela CMA, apareceu usando uma fantasia de coelhinha na capa da Playboy e fez a primeira de muitas participações com Johnny Carson no The Tonight Show, onde tolerava — e muitas vezes iniciava — piadas sobre sua aparência. Quando Jane Fonda começou a produzir a comédia de ambiente de trabalho Como Eliminar Seu Chefe, escolheu pessoalmente Parton para interpretar Doralee Rhodes, secretária determinada que sofre assédio sexual no trabalho.

“Eu nunca tinha conhecido Dolly”, contou Fonda à Rolling Stone em uma reportagem de capa sobre Parton em 1980. “Mas eu era realmente fã da música dela. Qualquer pessoa capaz de escrever ‘Coat of Many Colors’ e cantá-la da maneira como ela canta tem talento para fazer qualquer coisa. Ela não era o estereótipo de uma loira burra. Eu sentia que ela provavelmente poderia fazer praticamente tudo o que quisesse, que era uma mulher muito inteligente.”

Parton foi indicada ao Globo de Ouro por seu papel em Como Eliminar Seu Chefe, enquanto a faixa-título recebeu uma indicação ao Oscar. “9 to 5” também se tornou o primeiro single de Parton a alcançar o primeiro lugar nas paradas pop. O filme arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias. Dois anos depois, em 1982, ela estrelou ao lado de Burt Reynolds o musical A Melhor Casa Suspeita do Texas; depois, contracenou com Sylvester Stallone em Rhinestone – Um Brilho na Noite, de 1984, e, mais tarde, integrou o elenco da comédia dramática Flores de Aço, de 1989.

Parton continuou lançando música durante seus anos como estrela de cinema na década de 1980. Como inúmeros artistas country antes e depois dela, sua decisão de alterar o próprio som para alcançar um público pop mais amplo nesse período foi recebida com enorme controvérsia e policiamento sonoro por parte dos puristas do gênero. Singles como “Baby, I’m Burnin’”, de 1978, influenciada pela disco, e “Potential New Boyfriend”, de 1983, já na era da MTV, chegaram ao Top 20 das paradas de dança e consolidaram Parton como uma cantora que alcançava um público cada vez mais amplo e distante do country. “Sempre fico encantada”, diria a cantora mais tarde, “por estar em qualquer lugar novo onde me colocam.”

Ao mesmo tempo, Parton tinha plena consciência de como sua arte estava sendo recebida, agora que havia se tornado um fenômeno pop. “Escrevi cerca de metade das músicas do álbum 9 to 5. Escrevi todas as músicas daquele que virá depois”, disse Parton à Rolling Stone em 1980. “Sabe, as pessoas achavam que eu tinha me vendido: ‘Que merda é essa que a Dolly fez agora?’… Eu tenho plena consciência de tudo isso.”

A essa altura, Parton já havia consolidado sua imagem como “a ideia que uma garota do interior tinha do que era glamour”, como contou à Rolling Stone em 2003. “Modelei meu visual a partir da prostituta da cidade. Achava que ela era a coisa mais bonita do mundo, com todo aquele cabelo descolorido e batom vermelho vivo. As pessoas diziam: ‘Ah, ela é uma vagabunda’, e eu pensava: ‘É isso que quero ser quando crescer’.”

Depois que o dueto “Islands in the Stream”, de 1983, com Kenny Rogers, chegou ao topo das paradas e consolidou o status de Parton como estrela do adult contemporary, sua carreira pop esfriou com sucessos menores posteriores, como “Don’t Call It Love” e “Real Love”, outro dueto com Rogers. Ainda assim, Parton continuou emplacando sucessos country. Um malfadado programa de variedades da ABC coincidiu com o lançamento, em 1987, de Trio, o primeiro de dois aclamados álbuns de raízes musicais que gravou com Linda Ronstadt e Emmylou Harris — e que se tornou um dos grandes destaques de sua carreira pessoal.

“Nunca tive tanto orgulho de alguma coisa”, disse Parton mais tarde sobre o projeto Trio. “O que fizemos como trio, realmente, acho que vai permanecer muito depois de partirmos… Estamos unidas pela música.”

O projeto Trio antecedeu os álbuns de Parton voltados ao country White Limozeen (1989), Eagle When She Flies (1991) e Slow Dancing With the Moon (1993). Entre aparições no cinema e filmes, programas e especiais feitos para a televisão, Parton embarcou em outro projeto de “trio”: o álbum Honky Tonk Angels, ao lado das ícones do country Loretta Lynn e Tammy Wynette.

A essa altura, Parton já era uma figura mundialmente reconhecida, cujo apelo transcendia em muito suas origens como artista de raízes country. “Ah, Dolly é enorme na Islândia”, disse Björk à Rolling Stone em 2003. “Todos os meus amigos amam Dolly, e a maioria deles são pessoas que nunca ouviriam música country… Não acontece com muita frequência de surgir uma personagem que é meio que maior que a própria vida. Eu não gosto de rock, mas gosto de Kurt CobainDolly é assim.”

Com a chegada do novo milênio, ela gravou um dueto com o Culture Club, lançou uma versão para clubes de dança de “Peace Train”, de Cat Stevens/Yusuf Islam, e lançou os álbuns influenciados pelo bluegrass The Grass Is Blue, Little Sparrow e Halos & Horns. O álbum-tributo de 2003, Just Because I’m a Woman: The Songs of Dolly Parton, trouxe versões de seus clássicos gravadas, entre outras, por Sinead O’Connor, Shania Twain, Melissa Etheridge e Alison Krauss.

Dolly foi uma enorme inspiração para mim quando eu era criança”, disse O’Connor na época. “Ela mostrou às mulheres do mundo inteiro o quanto pode ser conquistado por meio do poder da voz feminina. Acho que ela não deve ser subestimada, embora algumas pessoas meio que riam quando você diz que gosta de Dolly Parton. Mas ela é um gênio do caralho.”

No início dos anos 2000, a carreira de Parton atravessava um período de baixa comercial, enquanto ela lançava álbuns influenciados pelo bluegrass, aclamados pela crítica, mas em grande parte ignorados pelo público, por selos de nicho como a Sugar Hill Records. Nas duas décadas seguintes, porém, a cantora reafirmaria seu legado como uma força imparável, com uma série de turnês mundiais, álbuns de estúdio, projetos cinematográficos, parcerias corporativas e livros.

A retomada comercial de Parton começou, em parte, em 2005, quando ela voltou ao topo das paradas country com “When I Get Where I’m Going”, um dueto com Brad Paisley. Foi seu 25º sucesso a chegar ao primeiro lugar. E, embora Parton não tenha escrito a música, ela permaneceu dedicada à composição na segunda metade da carreira, escrevendo quase todas as faixas de álbuns como Better Days, de 2011, e Pure & Simple, de 2016. “Hoje em dia, a inspiração pode surgir a qualquer momento”, escreveu Parton em 2020. “Posso ouvir um ótimo título, ter uma ideia incrível, ver uma história interessante na TV ou ouvir algo no noticiário e pensar: ‘Alguém precisa escrever uma música sobre isso’. E esse alguém geralmente sou eu.”

Ao longo da década seguinte, sua produção fonográfica diminuiu, mas o álbum Blue Smoke, de 2014, foi seguido por uma turnê mundial que incluiu uma apresentação para uma das maiores plateias já reunidas — mais de 100 mil pessoas — no Festival de Glastonbury, na Inglaterra. Dois anos depois, Pure & Simple, de 2016, tornou-se o primeiro álbum country da cantora a alcançar o primeiro lugar em 25 anos. Ela lançou seu primeiro álbum infantil, I Believe in You, em 2017, seguido por um disco de Natal, antes de se unir ao escritor James Patterson para coescrever o romance Run, Rose, Run e lançar um álbum complementar com o mesmo título em 2022.

Para sua maior ofensiva midiática em anos, Parton foi muito além da música country e lançou um álbum de clássicos do rock, hard rock e até heavy metal. Intitulado Rockstar, o disco de 2023 traz versões de músicas como “Stairway to Heaven” e “Every Breath You Take”, além de faixas inéditas, gravadas com um grupo diverso de artistas: Rob Halford, do Judas Priest; Joan Jett and the Blackhearts; Pink e Brandi Carlile; sua afilhada Miley Cyrus; Steve Perry, do Journey; Steven Tyler, do Aerosmith; e Paul McCartney e Ringo Starr, dos Beatles.

O álbum de 30 faixas veio acompanhado de outra grande conquista na carreira de Parton: sua entrada no Rock & Roll Hall of Fame, em 2022. “Agora sou uma estrela do rock!”, brincou Parton durante seu discurso de aceitação, após ser introduzida por Pink. “Esta é uma noite muito especial para mim. Tenho certeza de que muitos de vocês sabiam que, quando disseram que iriam me colocar no Rock & Roll Hall of Fame, eu não sentia que tinha feito o suficiente para merecer aquilo. E, naquele momento, eu não entendia que se tratava de algo maior do que isso. Mas estou muito honrada e orgulhosa de estar aqui esta noite.”

Na época de sua entrada no Rock Hall, Parton já era havia muito tempo integrante do Country Music Hall of Fame, que a homenageou em 1999. Ela também havia sido incluída no Songwriters Hall of Fame em 2001 e recebido a National Medal of the Arts em 2005, além de ter sido homenageada pelo Kennedy Center em 2006.

Em seus últimos anos, Parton consolidou seu legado — como uma titã dos negócios multimídia, uma artista de nível mundial e uma marca — por meio de uma série de aparições públicas de grande repercussão e projetos retrospectivos. Em 2009, escreveu as músicas e letras da versão da Broadway de 9 to 5. Em dezembro de 2015, mais de 13 milhões de pessoas assistiram ao primeiro de uma série de filmes televisivos da NBC inspirados em suas músicas icônicas, Dolly Parton’s Coat of Many Colors, baseado na história do casaco de retalhos que sua mãe fez para ela quando criança. O filme já contava com um público potencial graças ao material de origem, uma música que rivalizava com “Jolene” como a mais popular de Parton por sua natureza universal. “Você tem família, tem religião, tem honestidade, tem pobreza e tem o fato de ser alvo de piadas”, disse a compositora country Brandy Clark à Rolling Stone, descrevendo o apelo de “Coat of Many Colors”. “Acho que, se você não passou por nenhuma dessas cinco coisas, provavelmente não viveu.”

E, em 2023, aos 77 anos, Parton vestiu o icônico e revelador uniforme das Dallas Cowboys Cheerleaders para se apresentar no show do intervalo da partida de Ação de Graças entre os Cowboys e o Washington Commanders.

Durante todo esse período, Parton manteve o foco em sua própria composição. “Como compositora”, escreveu Bill Malone em sua história do gênero, Country Music USA, “ela teve poucos pares na música country, podendo ser fortemente comparada a Merle Haggard por sua ampla variedade de interesses e sua habilidade com uma diversidade de estilos e linguagens musicais.”

Uma de suas últimas músicas foi “If You Hadn’t Been There”, lançada em março de 2025, pouco depois da morte de seu marido, Carl Dean. A faixa era uma homenagem a Dean, que ela conheceu pouco depois de chegar a Nashville. Parton se casou com o extremamente reservado Dean em maio de 1966 e não teve filhos, mas suas sobrinhas, sobrinhos e outros familiares a chamavam carinhosamente de “Aunt Granny”. Enquanto Dean preferia permanecer longe dos holofotes, Parton passou a maior parte dos 60 anos de casamento se tornando uma superstar. “Não estou escondendo nenhuma informação”, disse Parton sobre seu casamento em 2016, “mas há certas coisas que são sagradas e privadas.”

Em 2025, Parton anunciou uma série de shows no Caesars Palace, em Las Vegas, para dezembro daquele ano. No entanto, no outono, a artista adiou as apresentações, citando “desafios de saúde” que exigiam que ela permanecesse em Nashville. No ano seguinte, Parton cancelou definitivamente os shows adiados, mencionando problemas de saúde que, segundo ela contou aos fãs em uma mensagem, incluíam pedras nos rins, além de questões relacionadas ao sistema imunológico e ao sistema digestivo.

Com exceção de algumas aparições públicas em 2026, incluindo a inauguração de seu próprio posto de caminhões no Tennessee, em junho, Parton permaneceu em grande parte longe dos holofotes, optando por participar virtualmente, em trechos pré-gravados, do anúncio de uma nova montanha-russa no Dollywood e para receber prêmios da Academy of Country Music e da Americana Music Association. Durante sua participação virtual para o anúncio do brinquedo do Dollywood, Parton falou mais sobre seus problemas de saúde. “Às vezes fico um pouco tonta e fico desidratada. E estou desidratada. Então meu médico de Nashville cortou minhas asas, dizendo: ‘Você não vai viajar esta semana’”, contou.

Ainda assim, Parton continuou ocupada nos bastidores, especialmente supervisionando a construção e a inauguração, em 2026, de seu hotel em Nashville, o SongTeller, que incluía seu museu Life of Many Colors.

“Todo mundo tem um propósito”, disse Parton à Rolling Stone em 1980. “Muitas pessoas nunca chegam a encontrá-lo de verdade, mas eu tive mais sorte do que muita gente. Fui a quarta de uma família de 12 filhos, então era meio independente e realmente não tinha muitas coisas me prendendo. Sempre fui meio livre para pensar e tive a oportunidade de fazer mais do que percebi durante muito, muito tempo.”

Em seus últimos anos, Parton, plenamente consciente do próprio legado, começou a gravar partes vocais para muitas das centenas de músicas inéditas que escreveu ao longo da carreira, com o objetivo de deixar um conjunto de trabalhos que pudesse ser lançado depois de sua morte. “Qualquer produtor, em qualquer lugar do mundo, quando eu partir, poderá pegar minhas músicas, apenas a faixa-guia e minha voz, e construir um arranjo completo”, disse Parton em 2019. “Isso vai continuar para sempre.”

“No fim das contas, espero ser lembrada como uma boa compositora”, escreveu Parton no ano seguinte, em 2020. “As músicas são o meu legado.”

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