Como foram os shows de Spiritbox, S.H.A.V. e Black Pantera na abertura para o Korn

Escrito em 17/05/2026
Igor Miranda (@igormirandasite)

Bandas foram escaladas para iniciar os trabalhos no Allianz Parque, em São Paulo, no último sábado, 16, com propostas diferentes, mas de alguma forma alinhadas ao headliner

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Spiritbox, Seven Hours After Violet e Black Pantera em São Paulo (Foto: Leca Suzuki @lecasuzukiphoto)

Em um formato já usual nos shows realizados em estádio pela produtora 30e, a apresentação do Korn no Allianz Parque, em São Paulo, no último sábado, 16, contou com um número maior de atrações de abertura, devidamente alinhadas à proposta e com força individual. Spiritbox, Seven Hours After Violet (S.H.A.V.) e Black Pantera tocaram antes do grupo americano de nu metal, com propostas diferentes, mas de alguma forma conectadas ao headliner.

Black Pantera

Trio preto antirracista formado em Uberaba (MG) e dominante no underground nacional, o Black Pantera ficou a cargo de abrir os trabalhos ainda no fim da tarde, às 17h45. O repertório de 30 minutos foi montado especificamente para o evento, com foco em músicas mais pesadas. As duas primeiras, “Boto pra F*der” e “Padrão é o Car*lho”, obtiveram adesão quase que imediata dos presentes nas pistas, a ponto de mobilizar rodas num horário em que o público ainda poupa energia.

O estádio, aliás, poderia estar mais cheio. A fila para entrada estava enorme e houve relatos, tanto no local quanto nas redes, de vários fãs que perderam a apresentação do grupo formado por Charles Gama (voz e guitarra), Chaene da Gama (baixo e voz) e Rodrigo “Pancho” Augusto (bateria). Uma pena.

Foram inúmeras as demonstrações de gratidão do trio pela oportunidade de tocar em um show de tal magnitude. Antes de “Boom!”, Charles destacou o fato de utilizar uma camiseta do Korn comprada ainda em 2006. Se as diferentes camadas de “Candeia” trouxeram um raro momento mais alinhado à proposta artística atual do Black Pantera, as demais canções mantiveram suas referências diretas às origens hardcore/thrash do trio, com destaque ao mosh pit formado só por mulheres em “Cola” e à interação “agacha para depois pular” ao som de “Fogo nos Racistas”. Excelente aquecimento.

Black Pantera — repertório:
1. Boto Pra F*der
2. Padrão é o Car*lho
3. Boom!
4. Abre a Roda e Senta o Pé / Dreadpool Zero
5. Candeia
6. Cola
7. Fogo nos Racistas

Seven Hours After Violet

Na sequência, Seven Hours After Violet contribuiu com um repertório de aproximadamente 35 minutos em nova tentativa de apresentar ao público a nova banda de Shavo Odadjian, baixista do System of a Down. A visita anterior havia ocorrido em 2024, para shows no Knotfest Brasil e abrindo para o Babymetal em compromisso à parte. Completam a formação Taylor Barber (Left to Suffer) no vocal, Alejandro “Scarypoolparty” Aranda (vice-campeão do American Idol 2019) na guitarra e vocal, Michael “Morgoth Beatz” Montoya (Winds of Plague) na guitarra e Josh Johnson (Winds of Plague) na bateria.

Há, como esperado, elementos típicos da sonoridade do System of a Down no caldeirão do S.H.A.V.: dedilhados de guitarra à lá Daron Malakian (vide “Float”), vocalizações numa pegada meio Serj Tankian (como em “Radiance”) e progressões melódicas na veia do Oriente Médio. Tudo isso passa, também, pela assinatura criativa de Odadjian. No entanto, a nova banda diferencia-se por trazer influências do deathcore, em especial por meio das distintas técnicas de gutural de Barber. Compõe um resultado diferente, mas não necessariamente único.

Tempo ao tempo. O Seven Hours só tem um álbum lançado — e suas composições nasceram quando Shavo sequer sabia quem iria cantar no projeto. E mesmo o que foi apresentado neste momento inicial de carreira foi o suficiente para agradar uma parte considerável da plateia, agora mais numerosa, no Allianz.

Canções mais melódicas, como “Abandon” e “Radiance”, dividiram espaço com pauladas a exemplo de “Alive”, esta mais despojada, e “Go!”, que vai de um refrão grudentinho a um breakdown forte. No meio disso, ainda houve momentos ligeiramente mais experimentais em “Gloom”, de pegada mais etérea e atmosférica. A acelerada “Graves”, faixa ainda inédita nas plataformas digitais, foi tocada duas vezes para possibilitar a gravação de um videoclipe. A ver o desempenho do quinteto no segundo álbum — ou EP, formato antecipado por Shavo à Rolling Stone Brasil.

Seven Hours After Violet — repertório:
1. Abandon
2. Radiance
3. Alive
4. Go!
5. Float
6. Gloom
7. Paradise
8. Graves (inédita)
9. Graves (inédita, tocada de novo)
10. Sunrise

Spiritbox

Terceira e última banda de abertura, o Spiritbox subiu ao palco do Allianz Parque com peso raro entre atrações introdutórias. Não havia porte de headliner de estádio, mas era visível que muitos estavam ali para assistir a Courtney LaPlante (voz), Mike Stringer (guitarra), Josh Gilbert (baixo) e Zev Rose (bateria) — especialmente após a incrível apresentação antes do Bring Me the Horizon no mesmo local, em novembro de 2024.

De lá para cá, muita coisa mudou. O segundo álbum, Tsunami Sea, chegou a público no início do ano passado. O sucesso de Eternal Blue (2021) não se repetiu na parte de números, mas foi até ampliado em termos de reconhecimento na mídia e indústria, a ponto de o quarteto ter se apresentado na recente cerimônia do Grammy, no que se chama de “pré-Grammy”. Como foi possível testemunhar na noite de sábado, 16, a performance ao vivo também passou por alterações: está mais sofisticada e formatada para grandes espaços.

A começar pela iluminação climática, ainda mais casada com os climas e momentos do repertório. Há ainda a ideia de que todo o show segue um conceito, visto que há transições sonoras entre todas as músicas, sem silêncio absoluto nem mesmo para atrair palmas dos fãs ao fim das canções.

Não muda, porém, o capricho artístico da banda canadense que é essencialmente metalcore, mas também tem elementos de post-metal e djent, alguma coisa de progressivo e um tempero pop salpicado com equilíbrio. LaPlante é o grande destaque, com sua presença de palco magnética e poderio vocal que vai da delicadeza ao gutural com naturalidade. Não fica muito atrás, contudo, o trabalho rítmico envolvendo execução entrançada de todos os três instrumentos — a ponto de Stringer abdicar dos solos para não deixar de dar liga e peso.

A abordagem forte da canção inicial “Cellar Door” não foi o suficiente na função de preparar o terreno para uma sequência de três faixas boas, mas ainda menos conhecidas, de Tsunami Sea: “Black Rainbow” (com raro solo de Mike), a etérea “Perfect Soul” e a interessantíssima “Keep Sweet”, com versos pop, refrão à la “rádio rock americana” e letra crítica à Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A partir de “Jaded”, uma das composições mais populares do grupo, o show engrena — e é possível testemunhar mais vezes LaPlante sair do personagem “cantora de metal badass” para flagrar sorrisos de quem parecia não acreditar receber tamanha ovação. Neste miolo, destacam-se “The Void”, que chega a ser dançante; “Yellowjacket”, com Josh Gilbert assumindo os vocais originalmente gravados por Sam Carter (Architects) e dona dos momentos mais dinâmicos do set; e “Circle with Me”, a mais cantada pela plateia.

Perto do fim, “Holy Roller” trouxe participação de Taylor Barber, do Seven Hours After Violet. “Soft Spine”, com seu groove à la nu metal, talvez não tenha sido a melhor opção para o encerramento, mas valeu mesmo assim. O setlist não tão bem montado foi o único ponto inferior no comparativo com 2024. Em todos os outros aspectos — performance, estrutura, presença e comunicação com a plateia —, o Spiritbox demonstrou crescimento. É pedir demais por um show individual do grupo, com repertório completo, aqui no Brasil?

Spiritbox — repertório:
1. Cellar Door
2. Black Rainbow
3. Perfect Soul
4. Keep Sweet
5. Jaded
6. The Void
7. Hurt You
8. Yellowjacket
9. Circle With Me
10. Rotoscope
11. Holy Roller
12. Soft Spine

Rolling Stone Brasil: revista especial com Korn

À VENDA: O Korn estampa a capa da nova edição da revista Rolling Stone Brasil. Com um show especial no Allianz Parque marcado para 16 de maio, a lendária banda de nu metal narra seus próximos passos — incluindo um álbum que está sendo preparado — e reflete sobre como seus contemporâneos estão mais relevantes do que nunca. Também há entrevistas com Iron Maiden, Black Pantera, Spiritbox, Shavo Odadjian (Seven Hours After Violet), entre outros. Compre no site Loja Perfil.

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