David Byrne escreve canção formada por frases de Elon Musk para documentário

Escrito em 03/09/2026
Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Faixa integra "Musk", filme de Alex Gibney que estreia nos cinemas em outubro

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David Byrne (esquerda) e Elon Musk (direita) (Fotos: Dave Simpson/WireImage e Kevin Dietsch/Getty Images)

David Byrne, icônico vocalista da banda Talking Heads, escreveu uma canção para um novo documentário sobre Elon Musk. A faixa, batizada de “Let Me Sell You A Dream“, nasceu de uma parceria entre Byrne e o compositor Daniel Pemberton, conhecido pela trilha de Devoradores de Estrelas (2026). Criticada pelo bilionário, a letra foi desenvolvida utilizando apenas frases do próprio Musk.

O documentário, dirigido por Alex Gibney, o mesmo nome por trás de obras de não-ficção como Going Clear: Scientology and the Prsion of Belief (2015), A Inventora – À Procura de Sangue no Vale do Silício (2019) e o vencedor do Oscar Enron: Os Mais Espertos da Sala (2005), chega aos cinemas em 16 de outubro. Descrito como um “retrato definitivo e sem filtros” do magnata, o longa de 235 minutos de duração já foi classificado pelo próprio Musk como um “ataque vexatório”.

Sobre o processo de composição, Byrne revelou à revista Variety como reuniu o material: “Pedi algumas boas citações do Marciano e encontrei mais algumas online”, compartilhou o cantor. “Tenho certeza de que ele adora soltar essas declarações ousadas, e elas se tornaram a letra da música. Todas palavras dele. Sem interferência. Direto da boca dele para a minha.”

A ideia do documentário começou a ser desenvolvida ainda no fim de 2022 e foi ganhando forma conforme a trajetória de Musk avançava. Pensado inicialmente como um longa de duas horas, o projeto chegou a ter um corte de seis horas antes de ser reduzido à versão que estreia nos festivais de Veneza e Toronto neste mês, antes de passar pelos cinemas em outubro e desembarcar na HBO no ano que vem.

A produção percorre diferentes fases da carreira do bilionário de extrema-direita, da atuação à frente de suas empresas Tesla, SpaceX, Starlink e Neuralink até a compra do Twitter, que transformou no aplicativo X. A aproximação com o governo de Donald Trump e a passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) dos Estados Unidos também são temas explorados pelo longa. Um dos pontos centrais do filme é justamente o acesso que a equipe do DOGE teria tido a dados de cidadãos americanos, e as possíveis implicações políticas desse acesso. O elenco de entrevistados inclui Ashley St. Clair, ex-parceira de Musk, que relata conversas anteriores à eleição presidencial americana de 2024.

Como o próprio empresário optou por não conceder entrevista à produção, Gibney recorreu a um recurso incomum para representá-lo em determinados trechos. O diretor desenvolveu com sua equipe um avatar digital construído a partir de gravações públicas da voz de Musk, que aparece percorrendo ambientes virtuais como se fosse um personagem de videogame. A interpretação que beira o cômico remete ao próprio interesse do bilionário pela ideia de que a realidade poderia ser uma simulação.

Gibney, por sua vez, descreveu a satisfação de ter conseguido a parceria com Byrne como um dos pontos altos do processo. Ele contou que já era fã antigo do trabalho do cantor e que acompanhou de perto as filmagens do documentário Stop Making Sense, do Talking Heads. “‘Let Me Sell You a Dream’ é sensacional”, afirmou o diretor. “Sou um grande fã dele. Minha esposa e eu estávamos no Pantages durante as filmagens de Stop Making Sense, então pressenti que ele encontraria uma forma musical de abordar a mensagem do filme. E ele conseguiu”, acrescentou. “Ao escrever a letra, David mergulhou fundo nos ditos do próprio Musk para chegar a uma poesia sarcástica, “extremamente visceral” e contagiante”, reforçou Gibney.

A canção pode concorrer ao Oscar de Melhor Canção Original, com elegibilidade garantida pela estreia nos cinemas americanos via distribuidora Bleecker Street (via Variety). Uma eventual indicação marcaria o retorno de Byrne à corrida pelo Oscar quase quatro décadas após sua primeira passagem pela premiação. Em 1988, o cantor levou a estatueta da categoria por O Último Imperador, prêmio dividido com Ryuichi Sakamoto e Cong Su (artista de música eletrônica e pop japonês e especialista em música clássica chinesa, respectivamente).

Muskserá apresentado no Festival de Veneza no dia 8 de setembro, antes de seguir para o Festival de Toronto em 14 de setembro e chegar às telas americanas em 16 de outubro. Gibney revelou ainda em março de 2023 que já estava “muitos meses” dentro da produção do longa, que hoje soma quase quatro horas de duração e figura entre os retratos não-ficcionais mais ambiciosos de sua carreira.

Atualmente, a turnê solo Who Is The Sky? de Byrne está sendo transformada em filme de concerto, com as apresentações na cidade natal do músico registradas em película 70mm pelo diretor Brady Corbet, de O Brutalista (2024). O longa ainda está em pós-produção, sem data de lançamento definida.

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