A discografia do Korn, comentada pelos 4 integrantes

Escrito em 11/05/2026
Igor Miranda (@igormirandasite)

Jonathan Davis, Brian “Head” Welch, James “Munky” Shaffer e Ray Luzier falam à Rolling Stone Brasil sobre todos os álbuns da banda americana de nu metal

O post A discografia do Korn, comentada pelos 4 integrantes apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.

Korn em foto exclusiva para Rolling Stone Brasil (Foto: Jonathan Weiner)

Em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil, os quatro integrantes do Korn comentaram cada um dos 14 álbuns de estúdio lançados até agora. Vale lembrar: o guitarrista Brian “Head” Welch não participa dos discos entre See You on the Other Side (2005) e The Path of Totality (2011), enquanto o baterista Ray Luzier se juntou à formação a partir de Korn III: Remember Who You Are (2010). Completam a formação o vocalista Jonathan Davis e o também guitarrista James “Munky” Shaffer.

As declarações fazem parte da matéria de capa da edição #29 (maio de 2026) da revista Rolling Stone Brasil. O impresso está à venda no site Loja Perfil e também traz entrevistas com Spiritbox, Shavo Odadjian (Seven Hours After Violet / System of a Down) e Black Pantera, que se apresentam junto do Korn no Allianz Parque, em São Paulo, neste sábado, 16.

Korn — discografia comentada pelos integrantes

Korn (1994)

Jonathan Davis: “Amo essa obra-prima. Para mim, é uma obra-prima. Não digo isso para ser pretensioso, mas foi aí que tudo começou. Tudo sobre esse disco mudou o mundo.”

Brian “Head” Welch: “Diria que é o meu favorito. Serviu como nossa faculdade de gravação, produção e indústria musical. Aprendemos a gravar, a sobrepor guitarras e vocais, a produzir músicas com nosso produtor [Ross Robinson] — ele estava produzindo, mas estávamos aprendendo o processo de desmontar músicas, fazendo-as o melhor possível e tudo mais.”

James “Munky” Shaffer: “Sabíamos que trabalhar com Ross Robinson nos produzindo no Indigo Ranch [lendário estúdio em Malibu] acenderia o pavio de influência em outras bandas depois de nós que foram gravar ali. Acho que esse é o jeito certo para descrever a experiência com ele naquele estúdio.”

Ray Luzier: “Eu amo o quão imprudentes eles são no primeiro álbum. Você consegue sentir toda a angústia. Jonathan simplesmente entrega tudo ali na performance vocal. Esse disco se destaca.”

Life is Peachy (1996)

JD: “Fizemos esse disco logo após voltarmos da turnê. O empresário, querendo dinheiro, falou: ‘Entre no estúdio. Precisamos de outro disco porque você precisa voltar para a estrada’. Então foi muito corrido. Mas ainda o ouço até hoje. Eu costumava reclamar por ter sido apressado — por isso as músicas são mais rápidas —, mas amo que, por isso, consigo sentir a pressa, a tensão e a ansiedade, porque a nossa postura era: ‘Tem que terminar esse negócio para voltar para a estrada’. Empresários e gravadoras precisam manter a maldita máquina em funcionamento. Mas amo esse disco.”

Follow the Leader (1998)

JD: “O começo de grandes coisas. Foi o último que fiz completamente fora de mim. Gosto dele, mudou nossas vidas. Foi o primeiro sem Ross.”

Head: “Meu segundo álbum favorito. Não gosto de todas as músicas — até Jonathan diria que ‘All in the Family’ não deveria ter entrado, pois éramos jovens idiotas e estávamos bêbados —, mas é um disco tão icônico e com músicas como ‘Freak on a Leash’, ‘Got the Life’, ‘It’s On’, ‘Dead Bodies Everywhere’. Definiu nossa carreira.”

Ray: “A banda pode rir de mim, mas é o meu favorito entre os que não gravei, pois me identifiquei com ele. Gosto da produção e do som. Amo a capa com a amarelinha no penhasco — é uma das minhas capas favoritas do Korn. ‘Freak on a Leash’ foi a única música aposentada do ‘TRL’ [programa da MTV que exibia os clipes mais pedidos], pois ela vencia tanto no voto popular que tinham que abrir chance para outras músicas.”

Issues (1999)

JD: “Divertido. Amo esse disco. Tivemos tempo para trabalhar nele. Brendan O’Brien nos ensinou algumas coisas sobre composição. É o meu primeiro disco sóbrio, e ele é sobre eu passar por toda essa loucura e ansiedade. Eu não sabia que estava desintoxicando do álcool, fiquei fora de mim por um ano. Então, tinha esse conceito: eu saindo e tentar me arrastar para fora do buraco. Mas amo esse disco. Minha parte favorita são os pequenos interlúdios feitos com Brendan.”

Untouchables (2002)

JD: “Orçamento de gente grande! Eu sei que Fieldy falou sobre o quanto gastamos com isso [cerca de US$ 4 milhões], mas a maior parte dos gastos foi por sermos burros e mantermos o salário de toda a nossa equipe de turnê por dois anos. Foi a primeira vez que trabalhamos com Michael Beinhorn. Usamos o tempo e Michael nos fez criar ótimas músicas. Levou um ano para compor e mais um ano para gravar, porque foi a primeira gravação em 96 kHz da história. A produção exagerada me faz chamar esse álbum de ‘Asia do heavy metal’. Nunca foi superado. É meu álbum favorito. Senti todos os tipos de emoção ao fazê-lo: quis matar pessoas, fiquei tão feliz, fiquei triste… foi uma experiência louca e não acho que seríamos capazes de fazer algo assim novamente.”

Munky: “Meu preferido. As músicas são tão grandiosas. Acho que tem a ver com o produtor, Michael Beinhorn, muito meticuloso com cada parte, com o que cada um estava tocando. Havia uma sensação tão conceitual no entorno. O grave, a mixagem, as melodias vocais de Jonathan… é nosso auge em termos de composição.”

Take a Look in the Mirror (2003)

JD: “Aqui estamos nos despindo, fazendo o completo oposto de Untouchables. Criamos algumas dessas músicas em turnê, uma delas na sala de ensaio da arena de Wembley, logo após um show com ingressos esgotados. Estávamos focados e todos se divertiam. Gravamos em três semanas no meu estúdio caseiro. Meio cru, mas era o que precisava para o momento.”

See You on the Other Side (2005)

JD: “Foi logo depois de Head sair. Estávamos assustados, não sabíamos o que fazer. Só precisávamos seguir em frente. Não tenho medo de quebrar regras, normas de como a música pesada deveria ser, então trabalhamos com The Matrix [equipe de produtores pop] e Atticus Ross [hoje no Nine Inch Nails]. Transformamos esse álbum em algo realmente legal e especial. Amo esse disco.”

Untitled (2007)

JD: “Veio depois que David saiu. Pensei: ‘Jesus, sou só Munky, Fieldy e eu, o que vai rolar?’. Voltamos com a ideia de que queríamos fazer algo diferente. Decidirmos ir com tudo e soar estranhos, o que resultou em um dos meus álbuns favoritos. Terry Bozzio e Brooks Wackerman gravaram a bateria. Adoro a vibe diferente.”

Ray: “O álbum sem título não foi tão bem recebido, mas amo tanta coisa ali porque amo o quão experimental foi. Amo a grandiosidade de ‘Starting Over’ no final, quando Jon canta ‘come take me’. Sou um grande fã desse disco pois sou muito fã de Terry Bozzio [que gravou a bateria da maior parte do material junto de Brooks Wackerman].”

Korn III: Remember Who You Are (2010)

JD: “Tentativa de voltar às raízes. O álbum punk do Korn. É brutal, cara. O que Ross Robinson me fez passar em estúdio me atrasou muito — meu psicólogo ficou irritado. Tive que voltar a tomar remédios. Foi f*da, mas essa é a postura do Ross e eu precisava colocar algumas coisas para fora. O disco cumpriu o seu propósito na época.”

Ray: “Pirei ao trabalhar com Ross Robinson em Korn III. Ele pegou pesado comigo: me pressionava, fazia tocar sem metrônomo. Falei que eu era novo na banda, mas não um novato na bateria, pois já havia gravado vários discos e trabalhado como músico de estúdio. Ele não se importou. Ficou me moendo. Quando eu queria tocar, ele dizia: ‘Coloque as baquetas no chão, precisamos conversar sobre por que estamos aqui, o que estamos fazendo para o público’. Éramos apenas Munky, Fieldy e eu em uma sala. Jon vinha, criava algumas melodias e ia embora. Jon e eu fomos os mais cobrados naquele álbum. Aquilo foi o maior chute na bund*, pois ele me pressionava e foi tão bizarro o fato de não termos consertado nada naquele álbum; não fizemos overdubs, sou eu tocando 100%, sem mudanças posteriores. Mas fiquei muito orgulhoso. Só não gosto muito da mixagem.”

The Path of Totality (2011)

JD: “Foi divertido. Quis experimentar de novo e comecei a ouvir dubstep, pois sempre curti dance music — não eletrônico, mas a música freestyle de Nova York, como Egyptian Lover e o gênero electro. Sempre ouvi esse tipo de música. Comecei a ouvir DJ Excision, mostrei para Munky e Fieldy, que estranharam, mas ficaram de queixo caído, pois é pesado. Falei com Skrillex, que é um grande fã de Korn, para gravar umas músicas. Só faríamos um EP, experimentar para ver o que aconteceria. Mas ele me apresentou a algumas pessoas como Excision e Downlink. Gostamos tanto que resolvemos fazer um álbum inteiro: eles nos enviaram músicas e nós gravamos na estrada. Pensamos: ‘não sei se as pessoas vão amar ou odiar, mas pelo menos tivemos coragem de tentar algo diferente e não tentar jogar pelo empate’. Odeio quando uma banda tem que jogar pelo empate para agradar as pessoas. Você não evolui como artista sem se arriscar. E aquilo foi um grande risco. Muitas pessoas amaram. Muitas pessoas odiaram. Quem se importa? Não faço música para agradar todo mundo. Faço para suprir essa necessidade dentro de mim.”

Ray: “The Path of Totality teve mais prato de bateria do que qualquer outra coisa [risos], foi um álbum muito programado.”

The Paradigm Shift (2013)

JD: “Head veio a um show da época do The Path of Totality e isso o levou a voltar à banda. Decidimos fazer juntos um álbum, que se tornou esse. Misturamos o que fizemos no Path com Head, para ver se havia química. E havia. Don Gilmore, que gravou o Linkin Park, foi o produtor. É bem técnico, odeio isso, mas ainda ouço esse álbum, pois tenho ótimas lembranças e há algumas músicas excelentes ali.”

Ray: “Bem diferente. Tentei encontrar grooves um pouco mais criativos. Não gosto de como gravamos, porque fizemos a bateria por último e eu tive que casar bateria com guitarras e baixo. Mas a volta de Head elevou a todos para seguirmos em frente. Minha visão era sempre ter os quatro caras juntos.”

The Serenity of Suffering (2016)

JD: “Um disco divertido. Gravamos pela primeira vez com Nick Rasculinecz. Eu me desliguei, porque estava passando por problemas em casa, então o resto da banda foi compor com Nick e decidimos não tentar tanta coisa eletrônica, pois àquela altura, toda música pesada era eletrônica — e já havíamos feito aquilo em 2011. Voltamos ao básico, com duas guitarras, um baixo, bateria e vocais, porque esse é o espírito mais puro do que fazemos. Estava tudo pronto quando fiz minha parte: eles trabalharam em Nashville e eu, aqui em Bakersfield.”

Head: “Está no meu top 3. Quando voltei, o Korn estava numa fase estranha, no meio da carreira, como se o som pesado que começamos talvez fosse antiquado. Nos perguntamos como nos manteríamos atuais naquele cenário. Curiosamente, aqui voltamos a ser quem éramos. Nos conectamos com a vibração dos primeiros álbuns.”

Ray: “Meu favorito dentre os que gravei. Foi quando começou a tomar forma para mim, por conta de Nick Raskulinecz. Por estar com a banda há quase uma década, tudo se encaixou. Amo a mixagem de Josh Wilbur. Amo as músicas, as performances e o som.”

The Nothing (2019)

JD: “Um inferno para fazer, pois a mãe do meu filho faleceu. Passei por muitas emoções. Esse álbum sou eu de luto. Devastador. Foi o álbum mais real do Korn que fiz desde o primeiro. Se você quer esse clima, ótimo, mas não consigo fazer isso toda vez. Ainda assim, fico feliz pelo resultado.”

Munky: “Realmente amei, está no meu top 3. Sinto que ele não teve tempo de ganhar asas. Nick Raskulinecz conseguiu pegar nosso som clássico e levar adiante. As composições soam maduras, vi nosso crescimento musical.”

Requiem (2022)

JD: “Não sabíamos o que fazer na pandemia. Fizemos esse álbum pois queríamos compor e esquecer do mundo. Comecei a trazer de volta mais positividade. Eu estava começando a ficar feliz de novo. Não há nada eletrônico nele, foi tudo gravado em fita, o que captura uma energia real.”

Munky:The Nothing não teve seu momento de turnê. Enlouqueci enquanto estava preso em casa, então sugeri nos encontrarmos de forma segura em um estúdio. O resultado foi Requiem. Não é fácil fazer álbuns como The Serenity of Suffering, The Nothing e Requiem quando você chega a essa parte da sua carreira: continuar tentando coisas novas e confiar na sua intuição e nos caras da banda, tentando não ouvir ninguém de fora. É dessa forma que o legado dessa banda deve ser lembrado.”

Ray: “Tem coisas no Requiem que eu curto muito, pois é tão diferente. Nunca fazemos coisas como ‘Hopeless and Beaten’. Amo o jeito que ‘Start the Healing’ ficou. É ótima de se tocar ao vivo.”

Rolling Stone Brasil: revista especial com Korn

PRÉ-VENDA: O Korn estampa a capa da nova edição da revista Rolling Stone Brasil. Com um show especial no Allianz Parque marcado para 16 de maio, a lendária banda de nu metal narra seus próximos passos — incluindo um álbum que está sendo preparado — e reflete sobre como seus contemporâneos estão mais relevantes do que nunca. Também há entrevistas com Iron Maiden, Black Pantera, Spiritbox, Shavo Odadjian (Seven Hours After Violet), entre outros. Compre no site Loja Perfil.

+++ LEIA MAIS: Korn lança ‘Reward the Scars’, sua primeira música inédita em 4 anos
+++ LEIA MAIS: Música do Korn viraliza no TikTok — e Zara Larsson tem ‘culpa’ nisso
+++ LEIA MAIS: A banda de metal que foi à loucura após estampar casaco de Dave Grohl
+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram
+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram

O post A discografia do Korn, comentada pelos 4 integrantes apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.

.