A atuação de Michael Douglas que o diretor Oliver Stone odiou

Escrito em 11/02/2026
Redação

Antes de vencer o Oscar pelo papel de Gordon Gekko, Stone afirmou que Douglas parecia 'nunca ter atuado antes na vida'

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Michael Douglas (Foto: reprodução)

Há quase 40 anos atrás, estreava nos cinemas um dos filmes mais icônicos de Oliver Stone, Wall Street: Poder e Cobiça (1987). O clássico retrato da ganância corporativa dos anos 80 imortalizou o personagem Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas (Instinto Selvagem). Apesar de ter brilhado no papel, vencendo o Oscar de Melhor Ator em 1988, Douglas revelou que, à primeira vista, o diretor havia detestado sua atuação.

Durante entrevista no TCM Classic Film Festival, em Nova York, o ator, hoje com 81 anos, relembrou o desentendimento com Stone no set de filmagem.

“Bem, estávamos terminando a segunda semana de filmagens, e bateram na minha porta”, disse Douglas (via NME).”‘Ei, Mike, sou eu, Oliver. Posso entrar?’ Eu disse: ‘Claro, entre’. Ele entrou no trailer e se sentou.”

A conversa começou amigável, mas a indignação de Stone era tanta que ele chegou a questionar se Douglas se ele estava usando drogas durante a produção. “Ele me perguntou: ‘Você está bem?’ Eu respondi: ‘Sim, estou bem’. [Stone disse]: ‘Você está usando drogas?’ Eu disse: ‘Não, não estou usando drogas’. E ele disse: ‘Porque parece que você nunca atuou antes na vida’.”

Em resposta, Douglas afirmou que não estava assistindo às cenas gravadas diariamente para verificar sua atuação. “Então eu disse: ‘Acho melhor dar uma olhada’, e ele disse: ‘É, é melhor mesmo'”.

O ator continuou: “E aí eu os analisei com muita atenção e de forma crítica, e eles me pareceram muito bons. Então eu ficava dizendo: ‘Acho que está muito bom’.”

Stone, por fim, concordou com Douglas. “[Stone] estava disposto a que eu o odiasse profundamente pelo resto do filme para conseguir aquele empurrãozinho extra”, disse o ator. “O histórico de sucessos dele com atores é bastante impressionante. Por isso, sou profundamente grato por ele ter me dado um papel e por ter me impulsionado a um outro patamar.”

O “empurrãozinho”, de fato, foi bem-sucedido. Um ano depois, Douglas seria o vencedor do Oscar e do Globo de Ouro de Melhor Ator pelo longa, que co-estrelou com Charlie Sheen e Daryl Hannah (Kill Bill). Ele ainda reprisou seu papel como Gordon Gekko na sequência de 2010, Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme.

No livro de Matt Zoller Seitz de 2016, The Oliver Stone Experience, Stone refletiu sobre a atuação de Douglas e defendeu que o saldo foi positivo. “Acho que ele estava mais à vontade [interpretando um vilão], mas acho que Michael luta para encontrar seu nível de conforto. Quer dizer, ele não está confortável, por assim dizer; ele está sempre procurando.”

“Se você reparar, ele mexe muito os ombros. Quando é mal aproveitada, o que às vezes acontece em filmes, essa arrogância do Gekko pode ser irritante, presunçosa, em papéis inadequados. Mas eu gosto do Michael quando ele está em bons filmes, com bom material. Gostei muito dele em Wall Street.”

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