O festival gratuito organiza uma programação de jazz, soul e R&B em celebração à raiz africana na música global
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O festival idealizado, produzido e promovido pelo Bourbon Street Music Club, o Bourbon Festival Paraty, chega à sua 16ª edição. A cidade, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Histórico, Natural e Cultural da Humanidade, é novamente palco de uma programação musical diversa e de iniciativas culturais que ampliam o diálogo com as sonoridades afro-diaspóricas representadas pelo jazz, o blues, o soul, o R&B e a MPB. A casa de shows paulistana almeja promover um encontro entre as raízes internacionais e a riqueza da produção nacional contemporânea dos gêneros.
A nova edição do evento é realizada pelo Bourbon Street Music Club em parceria com a Prefeitura de Paraty por meio da Secretaria de Turismo, com apoio da Secretaria de Cultura e da Casa da Cultura. Tem o patrocínio da Enel através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, e da Repsol Sinopec Brasil via Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.
O festival destaca como a herança rítmica da África é a base de toda a música contemporânea, unindo artistas de diferentes origens em torno do balanço e da improvisação. Serão mais de 12 horas diárias de música com mais de 60 atrações, de sexta a domingo, transformando Paraty em uma extensão da vibrante New Orleans. A cidade em Louisiana, EUA, é reconhecida como berço do jazz e do blues. Em 2026, a programação destaca três homenagens ao centenário de Miles Davis, uma das figuras mais influentes e aclamadas da história do jazz e da música do século XX.
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Dentre os destques, está o guitarrista norte-americano Mike Stern. Nascido em Boston e radicado em Nova York, o músico é dono de seis indicações ao Grammy. O artista lidera seu quinteto ao lado do baterista Dennis Chambers e convida o trompetista Sidmar Vieira para apresentar “Jean Pierre“, com citações de uma seleção de clássicos que se tornaram eternos na obra de Miles. A homenagem carrega um peso histórico: Stern foi integrante fundamental da banda de Davis nos anos 1980. “O Miles Davis era obviamente um músico incrivelmente brilhante. E eu me senti muito honrado por ter tido a chance de tocar com ele. O que eu mais amava nele era a quantidade de alma com que ele tocava! Ele sempre tinha um ‘groove’ tão forte! Eu certamente queria que ele ainda estivesse por aqui, mas ele deixou muita música incrível para todos nós nos inspirarmos”, diz Stern.
O tributo continua com o grupo Irmãos & Brothers formado pelos duos de irmãos Leandro e Vitor Cabral e Sidiel e Sidmar Vieira. O quarteto recebe a vencedora do Grammy Latino Xênia França para uma jornada que reverencia o legado de Davis e a ancestralidade da música negra das Américas. A programação traz ainda o trompetista e educador Lucas Gomes, referência do “jazz de quebrada” paulistano, que com seu quinteto faz uma releitura do icônico álbum Bitches Brew (1970).
Inaugurado há 32 anos pelo lendário B.B. King, o Bourbon Street Music Club mantém atividade ininterrupta no bairro de Moema, em São Paulo, consolidando-se como uma das mais importantes casas de música do mundo. Sua atmosfera recria a essência de New Orleans através da música ao vivo, da culinária Cajun/Créole e de drinks típicos, sendo o ponto de encontro fundamental para os amantes da boa música. Ao longo de sua trajetória, o palco da Rua dos Chanés recebeu mais de 7.500 shows de 1.500 artistas nacionais e internacionais. A lista inclui mais de 50 vencedores do Grammy e ícones como Ray Charles, Nina Simone, Diana Krall, Joss Stone, Wynton Marsalis, Marcus Miller, Ron Carter e Pat Metheny.
Além do Bourbon Festival Paraty, a casa organiza o Paraty Latino e o consagrado Bourbon Street Fest, que há 21 anos leva a cultura da Louisiana para diversas capitais brasileiras. A atuação da produtora estende-se também ao litoral paulista, com o Folk & Blues Ilhabela e o Ilhabela Bossa & Choro, além de promover a democratização do acesso à música com mais de 130 shows gratuitos em parques públicos de São Paulo — com destaque para as apresentações históricas de B.B. King e Ray Charles no Parque do Ibirapuera, para mais de 100 mil pessoas. Com mais de 50 turnês organizadas pela América do Sul, o Bourbon Street segue como um dos principais pilares de fomento ao jazz e ao blues no continente.
Neste ano, o festival carioca expande sua geografia musical com os palcos Matriz, Santa Rita, Igreja, Quadra e Largo do Rosário, retorna com apresentações musicais no Cinema da Praça e ocupa também espaços na Praça da Bandeira e do Chafariz, na Praia do Jabaquara e na Ponte do Pontal. A programação é desenhada para manter a energia do público em alta das manhãs até o encerramento das noites com os DJs Crizz, Dri Arakake e Leo Lucas.
“Esta edição do Bourbon Festival Paraty marca um amadurecimento na nossa relação com a cidade, ao integrarmos talentos locais e expandirmos as fronteiras do evento para além do Centro Histórico e em itinerâncias pelas ruas e praças. A curadoria está riquíssima, promovendo o encontro de excelentes músicos paratienses com grandes nomes nacionais e internacionais vindos de New Orleans, Chicago e Nova York — berços fundamentais do gênero”, afirma Edgard Radesca, diretor geral do Bourbon Street. Estou muito feliz em ver o festival se fortalecer a cada ano nesta que promete ser uma das edições mais emblemáticas da nossa história!”
O blues norte-americano é representado no line-up expoentes de diferentes linhagens, linguagens e gerações. Diretamente de Chicago, o festival traz Carlise Guy (filha de Buddy Guy) & The Nublu Band apresentando um blues moderno mesclado a elementos de R&B, soul e funk. A banda convida Billy Branch, herdeiro direto de Little Walter e um dos maiores mestres da harmônica no mundo, vencedor de melhor instrumentista no Blues Music Awards 2026. Também já indicado ao Grammy e descoberto por Willie Dixon, Branch é um embaixador cultural do gênero. Também de Chicago, o gaitista e cantor Omar Coleman mescla influências que vão de Albert King e Ike Turner ao soul da Hi Records de Memphis. No evento, o músico sobe no palco ao lado do guitarrista brasileiro indicado ao Blues Music Awards Igor Prado, celebrando o lançamento de Old, New, Funky & Blue.
O vocalista e tecladista Sonny Gullage, artista emergente de Nova Orleans, é uma revelação acompanhada de perto pela curadoria do Bourbon Street em festivais como o French Quarter e o New Orleans Jazz & Heritage, e entrega uma mistura vibrante de blues, soul e R&B já aplaudida em turnês por 9 países. A latinidade ganha destaque com os argentinos Ivan Singh — guitarrista radicado em Chicago, que se destaca pelo uso de uma guitarra artesanal de lata com quatro cordas e por misturar letras em espanhol e inglês – e a cantora, compositora e baixista argentina radicada no Brasil Jes Condado.
A cena se completa com os talentos nacionais. Os jovens irmãos Gabi & Gu Anias apresentsm uma homenagem a Eric Clapton, e Vasco Faé (Manoblues), o mais antigo “one man band no Brasil”, prepara seu projeto solo no qual canta, toca guitarra, gaita, bumbo e caixa, e ainda controla vários pedais e aparelhos eletrônicos. O cantor e compositor Chico Chico se consolida como um dos nomes mais expressivos da nova geração, enquanto Ana Cañas volta ao festival com novo show em homenagem a Rita Lee, uma das maiores artistas da música brasileira.
A cantoraXenia França também é presença confirmada como atração solo, com repertório que mescla música brasileira e o jazz. Já a cantora Jackie Carlini navega pelo rock, misturando o gênero com o jazz. No campo instrumental, destaca-se o encontro do projeto Afro Jobim — uma celebração das raízes afro-brasileiras presentes na música de Antônio Carlos Jobim e de Nanny Assis com o ícone Toninho Horta. Sobre Horta, Jobim dizia: “Ele não é um violonista, é um orquestrador de violão”. Ainda nas cordas, Junior da Violla interpreta o projeto “Viola Antiqua“, uma imersão nas origens e na evolução da viola caipira.
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Um dos grandes diferenciais desta edição é o peso dado à produção musical de Paraty, com artistas que colocam gás na engrenagem cultural da cidade durante todo o ano, provando que a excelência musical produzida é um dos pilares fundamentais de sua cultura. A abertura oficial fica por conta da Orquestra Jazz Sinfônica Jovem de Paraty, abrindo caminho para os jovens talentos da Orquestra de Violões, performando música popular brasileira e erudita. A cena local se expande com o jazz de Teo Lobos Trio, a guitarra de Kris Oliveira, já exibida em prestigiados festivais internacionais como o de Montreux, e a fusão de Jazz com ritmos brasileiros de Rhandall Trio. O intercâmbio cultural do território ganha corpo com o saxofonista e produtor francês Jerôme Charlemán, radicado na cidade, e o guitarrista venezuelano Rodrigo Zambrano.
A sonoridade segue pulsante com os riffs de Plinio Blues, com clássicos do Choro e do Jazz do duo formado por Felipe Karam e André Pantera no show 2 de cordas, na diversidade rítmica de Lucas Dutra Quarteto + Camdombe Paraty, fundindo música instrumental latina e brasileira, e em um sensível tributo a Chet Baker do Della Vecchia Trio conduzido pelo trompetista Anderson Della Vecchia
Os projetos Jazz na Kombi e os estreantes da Little Beast promovem uma interatividade rara: como seus palcos ficam ao nível do chão, a barreira entre músicos e público desaparece por completo. Essa atmosfera de proximidade ganha o reforço do cortejo Amigos da Cacilda: fruto do projeto Favela Brass, o grupo é formado por músicos que iniciaram suas carreiras no Bourbon Festival Paraty em 2022 ainda adolescentes e agora retornam, já adultos, com um projeto autoral. Somando-se a eles, os buskers da Orleans Street Jazz Band traduzem a tradição dos artistas de rua de New Orleans – marca registrada também no festival em Paraty, garantindo que o jazz ecoe por todos os cantos em jams e encontros espontâneos e surpreendentes.
Esse ano, o evento também organiza uma exposição visual. A mostra fotográfica MATRIZ: frequência coletiva foi realizada pelos fotógrafos Pedro Guida e Roger Sassaki, e destaca os músicos do festival. Com curadoria de Giancarlo Mecarelli, as obras se concentram nos instrumentistas e músicos de banda, retirando os olhares do holofote central dos headliners.
Ao longo de 16 edições, o festival consolida seu compromisso com a sustentabilidade, interligando a preservação do território ao impacto social. Em sintonia com a Agenda 2030 da ONU, quando busca equilibrar os três pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e social, as iniciativas cresceram e hoje englobam desde a gestão de resíduos com a Cooperativa de Paraty (que recolheu 796 kg de materiais em 2025) até a economia circular, com a doação de mais de 70Kg de lonas encaminhadas para reúso pela ONG Cariátides Moda Sustentável.
Para neutralizar a pegada de carbono, o evento mantém a parceria com a Iniciativa Verde, além de oferecer hidratação gratuita via totens da Águas de Paraty. Esse compromisso socioambiental estende-se aos bastidores com a eliminação de plásticos de uso único e o fomento à economia local, priorizando a contratação de profissionais da região e impulsionando a ocupação hoteleira para além dos 80%. A grande novidade deste ano é a chegada do Projeto Siri, que implementa uma logística reversa estratégica para transformar o festival em um hub de economia circular. Ao conectar a geração de resíduos a cooperativas de catadores e instalar ecopontos pela cidade, a iniciativa não apenas reduz o impacto nos aterros e promove a educação ambiental, mas também garante que a renda da reciclagem beneficie diretamente a comunidade local.
Programação- Bourbon Festival Paraty 2026
Data: 29, 30 e 31 de Maio
Sexta-feira, 29/05
- Palco Matriz:
20h00 – Orquestra Jazz Sinfônica Jovem de Paraty
21h30 – Carlise Guy & The Nublu Band (USA)
23h00 – Chico Chico (com interpretação em Libras)
01h00 – DJ Crizz - Palco Quadra:
16h00 – Plínio Blues
18h00 – Vasco Faé - Ponte do Pontal:
17h00 – Little Beast - Praça do Chafariz:
19h00 – Jazz na Kombi - Jazz Itinerante & Street Bands:
Horário Itinerante – Orleans Street Jazz Band (pelas Ruas do Centro Histórico)
Sábado, 30/05
- Palco Matriz:
21h00 – Afro Jobim & Nanny Assis convidam Toninho Horta
22h30 – Billy Branch (USA)
00h00 – Sonny Gullage & Blues Groovers (USA)
01h30 – DJ Léo Lucas
- Palco Santa Rita:
14h30 – DJ Crizz (abertura e intervalos)
15h00 – Orquestra de Violões de Paraty
16h30 – Teo Lobos Jazz Trio
18h00 – Gabi & Gu Anias tocam Eric Clapton - Palco Largo do Rosário (Buskers):
12h00 – Kris Oliveira
14h00 – Vasco Faé
16h00 – Jes Condado
18h00 – Jackie Carlini Duo
19h30 – Ivan Singh (ARG) - Palco Quadra (Buskers):
13h00 – Jackie Carlini Duo
15h00 – Kris Oliveira
17h00 – Plínio Blues
18h30 – Jes Condado - Palco Igreja:
11h00 – Rhandal & Jerôme Charlemán - Cinema na Praça (José Kleber):
14h00 – Exibição / Atração - Jazz Itinerante & Street Bands (Palco / Local):
11h00 – Jazz na Kombi (na Praia do Jabaquara)
15h00 – Jazz na Kombi (na Praça do Chafariz)
15h00 – Little Beast (na Pça da Bandeira)
19h00 – Jazz na Kombi (na Praça do Chafariz)
22h00 – Little Beast (na Praça Chafariz)
Horário Itinerante – Orleans Street Jazz Band / Amigos da Cacilda (pelas Ruas do Centro Histórico)
Domingo, 31/05
- Palco Matriz:
20h30 – Mike Stern Quintet (USA)
22h00 – Ana Cañas canta Rita Lee (com interpretação em Libras)
23h30 – Omar Coleman (USA)
01h30 – DJ Crizz - Palco Santa Rita:
14h00 – Dri Arakake (abertura e intervalos)
14h30 – Rhandal Trio convida Carol D’Ávila
16h00 – Lucas Gomes Quinteto
17h30 – Irmãos & Brothers (Participação especial: Xênia França)
19h00 – Sonny Gullage & Blues Groovers (USA) - Palco Largo do Rosário (Buskers):
12h00 – Plínio Blues Trio
14h00 – Kris Oliveira
16h00 – Vasco Faé
18h00 – Jes Condado - Palco Quadra (Buskers):
13h00 – Jes Condado
15h00 – Vasco Faé
17h00 – Jackie Carlini Duo - Palco Igreja:
11h00 – Felipe Karan & André Pantera
14h00 – Junior da Violla - Cinema na Praça (José Kleber):
14h00 – Rodrigo Zambrano
17h00 – Chet Baker Tribute by Della Vecchia Trio - Jazz Itinerante & Street Bands (Palco / Local):
11h00 – Jazz na Kombi (na Ponte do Pontal)
15h00 – Little Beast (na Ponte do Pontal)
19h00 – Little Beast (na Praça do Chafariz)
Horário Itinerante – Orleans St Jazz Band / Amigos da Cacilda (pelas Ruas do Centro Histórico)
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