Tarantino usar expressões raciais em seus filmes é ‘racista’ e ‘assustador’, diz atriz

Escrito em 09/03/2026
Redação

Rosanna Arquette, que participou de 'Pulp Fiction' (1994), reitera críticas antigas sobre o uso indiscriminado do insulto racial nas obras do diretor

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À esquerda, Rosanna Arquette, e à direita, Quentin Tarantino

A atriz de Pulp Fiction (1994) Rosanna Arquette criticou Quentin Tarantino por utilizar a “N-word” — insulto racial da língua inglesa, considerado extremamente ofensivo quando proferido por pessoas brancas — em seus filmes.

A atriz, que interpretou o papel de Jody no clássico de 1994, refletiu sobre o legado do filme em entrevista ao The Times. “É icônico, um grande filme em muitos níveis”, disse (via NME). “Mas, pessoalmente, estou farto do uso da ‘N-word’ — eu a detesto. Não suporto que [Tarantino] tenha recebido carta branca. Não é arte, é simplesmente racista e assustador.”

Esta não é a primeira vez que o diretor é criticado pelo uso indiscriminado do termo em sua filmografia. Em 2022, ele foi questionado sobre o que diria às pessoas que consideram a palavra “violenta”, mas pareceu não se importar.

“Você deveria ver [outra coisa]”, disse ao programa Who’s Talking To Chris Wallace. “Depois veja outra coisa. Se você tem algum problema com meus filmes, então eles não são os filmes que você deveria assistir. Aparentemente, eu não os faço para você.”

Lee Daniels (diretor de Preciosa – Uma História de Esperança) comentou sobre o ocorrido  à CNN. “Quentin, essa não é a resposta certa”, afirmou. “Há 10 ou 15 anos, eu teria considerado isso artístico, mas ‘n***a’ é a nossa palavra. Essa é a minha palavra. Você não tem o direito de dizer isso e não tem o direito de se sentir assim. Desculpe.”

Spike Lee (Malcolm X) já havia criticado Tarantino na época do lançamento do filme Jackie Brown (1997). “Tenho um problema sério com o uso excessivo da ‘N-Word’ por Quentin Tarantino. E que fique registrado que eu nunca disse que ele não pode usar essa palavra — eu a usei em muitos dos meus filmes — mas acho que há algo errado com ele.”

No entanto, o ator Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Django Livre, Os Oito Odiados), colaborador frequente de Tarantino, o defendeu. “É uma grande besteira. Você não pode simplesmente dizer a um escritor que ele não pode falar, escrever as palavras, colocar as palavras na boca das pessoas de acordo com suas etnias, da maneira como elas usam as palavras”, disse (via Esquire). “Você não pode fazer isso, porque aí se torna uma mentira; não é honesto. Simplesmente não é honesto.”

Agora, Tarantino está trabalhando em As Aventuras de Cliff Booth, sequência de Era Uma Vez em… Hollywood com enfoque no personagem de Brad Pitt. O longa é dirigido por David Fincher.

A versão estendida dos filmes Kill Bill (2003 e 2004), Kill Bill: The Whole Bloody Affair, está atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros.

+++ LEIA MAIS: Tudo o que sabemos sobre ‘The Adventures of Cliff Booth’, sequência de ‘Era uma vez em… Hollywood’

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