Criador do festival criticou aspecto da sociedade brasileira e fez uma comparação com o cenário de Estados Unidos e Portugal
O post O problema que o Rock in Rio costuma ter todo ano, segundo Roberto Medina apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.
Todo evento de grande porte traz consigo desafios inerentes à organização e o Rock in Rio não é diferente. Segundo Roberto Medina, a burocracia brasileira representa um problema constante.
Em entrevista a Leandro Fortino para o Toca Uol, o criador do festival se abriu sobre os preparativos para a edição 2026, que acontece em setembro. Quando questionado sobre dores de cabeça normais, o empresário logo citou a fiscalização:
“Não é exatamente uma maldição, mas tem uma coisa que é muito pesada: a burocracia brasileira. Aqui são quase 50 órgãos fiscalizando. Nos Estados Unidos são 5. Em Portugal são 6. A burocracia no Brasil é feita para desencorajar quem quer fazer alguma coisa.”
Em seguida, ele destacou que a burocracia no Brasil “é feita para desencorajar quem quer fazer alguma coisa”. Medina afirmou:
“É uma pegadinha permanente. Não é brincadeira: é muito mais difícil fazer evento no Brasil do que nos Estados Unidos. Lá os caras perguntam o que você quer. Aqui eles ficam procurando o que você não tem.”
Burocracia relacionada a locais
Um dos maiores desafios do empresário historicamente em termos de burocracia é relacionado aos locais do Rock in Rio, batizados de Cidade do Rock. Quatro locais no Rio de Janeiro já atenderam por essa alcunha em meio a disputas de alvarás e licenças municipais para operar. Um dos motivos pelo qual o evento retornou à cidade em 2011 – após uma década em Lisboa – foi porque a Prefeitura ofereceu construir um espaço dedicado ao festival no Parque Olímpico, na Zona Oeste (via O Globo).
Entretanto, os organizadores e as autoridades nem sempre tiveram uma relação tão positiva. Em entrevista de 2021 à Veja (via Whiplash), Medina lembrou dos desafios da primeira edição, em 1985, que ele alegou ter sofrido um prejuízo de US$ 8 milhões ao final de tudo. Segundo o empresário, parte do problema foi que o então governador do estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, colocou um alvo em suas costas:
“Fui perseguido pelo então governador do Rio, Leonel Brizola, que achava que eu pretendia entrar para a política e, por isso, emperrou a construção da Cidade do Rock e me obrigou a destruí-la depois.”
Trabalho análogo à escravidão
Durante a última edição do Rock in Rio, em 2024, uma força tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 14 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão durante o festival. As pessoas haviam sido contratadas por uma empresa terceirizada que fazia atividades operacionais para a organização.
Em março de 2026, a Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro determinou que a Rock World, empresa responsável pelo Rock in Rio, adote medidas para impedir uma repetição desse caso (via Repórter Brasil). Trabalhadores terceirizados precisam ter registro formal comprovado pela companhia antes do credenciamento de prestadoras de serviços.
Além disso, a empresa organizadora é obrigada a implementar controle de jornada, descanso mínimo entre turnos, fornecimento de equipamentos de proteção e infraestrutura adequada de alimentação, hidratação e higiene. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 50 mil por obrigação violada, além de penalidades por trabalhador afetado.
Em resposta na época, a Rock World expressou surpresa e indignação com a decisão. A empresa sustenta que sempre cumpriu as práticas ditadas na decisão e a culpa nesse caso pertence à empresa terceirizada.
+++ LEIA MAIS: Justiça faz Rock in Rio efetivar mudanças após denúncia por trabalho análogo à escravidão
+++ LEIA MAIS: Roberto Medina afirma que Drake foi banido do Rock in Rio: ‘Ele desrespeitou o público’
+++ LEIA MAIS: O manifesto de Roberto Medina antes do Rock in Rio 2026
O post O problema que o Rock in Rio costuma ter todo ano, segundo Roberto Medina apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.
