Suposta promessa quebrada e tentativa de revisionismo histórico em relação aos Beatles magoaram o músico; entenda
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O mundo do rock é feito de glórias e façanhas que entram para a história, mas também de mágoas profundas. Algumas, por coisas que parecem tão pequenas ou simples de resolver. Uma delas refere-se a Paul McCartney, que passou anos chateado com o cofundador da Rolling Stone, Jann Wenner, que também foi um dos criadores do Rock and Roll Hall of Fame.
Recentemente, detalhes de uma entrevista de 2015, agora publicados pela Vanity Fair (via Classic Rock), revelaram o motivo real pelo qual Paul guardou ressentimento de Wenner.
A discórdia central gira em torno de uma suposta promessa quebrada e do que McCartney percebeu como uma tentativa de “reescrever a história” dos Beatles, favorecendo a imagem de John Lennon em detrimento da sua.
A frustração começou em 1994. Naquele ano, os Beatles já haviam sido induzidos como banda (em 1988), mas John Lennon estava prestes a ser homenageado por sua carreira solo. Segundo McCartney, Jann Wenner ligou para ele pedindo que fizesse o discurso de introdução para Lennon.
Paul, então, indagou:
“Enfim, então eu disse: ‘E eu?’ [Wenner] disse: ‘Ano que vem. A gente te apresenta no ano que vem’. Eu disse: ‘Ok’. E aceitei o acordo. No ano seguinte chegou… Silêncio total.”
À Vanity Fair, Wenner negou ter feito tal promessa. Para McCartney, que sustenta a história, o sentimento foi de traição. Porém, a mágoa ia além de uma homenagem. Ele sentia que Wenner, grande amigo de John Lennon e Yoko Ono, estava alimentando uma narrativa de que Lennon era o único gênio intelectual por trás dos Beatles, enquanto Paul seria apenas o músico que “reservava os estúdios”. Ele explica:
“O lance entre John e eu é que sempre fomos iguais. Mas, claro, assim que John foi assassinado, ele se tornou o mártir — o personagem tipo Buddy Holly ou James Dean. E um revisionismo começou a acontecer. Jann teve grande influência nisso. Agora John era o cara. Ele era o cara nos Beatles. Ele era a força motriz dos Beatles. Ele tinha feito tudo. Não era verdade.”
Paul McCartney em paz
Paul McCartney só foi finalmente introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame como artista solo em 1999 — cinco anos após John Lennon e quatro anos após a suposta promessa de Jann Wenner.
O atraso foi tão sentido que se tornou piada e protesto na família. Durante a cerimônia de indução, a filha de Paul, a estilista Stella McCartney, subiu ao palco usando uma camiseta que resumia o sentimento do pai: “About F*cking Time” (“Já estava na hora, car*lho”, em português).
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