Duo estadunidense fez única apresentação em São Paulo com a turnê The Automatic World Tour e transformaram o Suhai Music Hall em um rito coletivo
O post The Lumineers e sua catártica festa folk apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.
Às vezes me pergunto se um show é algo em que só assistimos ou de fato habitamos. O The Lumineers caminha exatamente entre isso há mais de uma década, e na apresentação do último sábado (25), a banda equilibrou o estar e o habitar e ainda o transformou em mais um de seus instrumentos.
Wesley Schultz e Jeremiah Fraites, fundadores do grupo, conhecem muito bem seu público e quase cirurgicamente conduzem toda a apresentação com segurança características, inclusive em um momento (para o frenesi geral) no qual Wesley desce do palco e caminha entre as pessoas causando uma sincronia de celulares levantados para filmar de perto o músico.
O folk não é um estilo muito apreciado por aqui, o que refletiu em uma casa parcialmente cheia, com muito espaço para não se sentir sufocado, ao mesmo tempo perto o suficiente do palco para poder enxergar a banda sem esforço, mas ainda assim uma boa parcela dos presentes cantaram e ovacionaram muito a apresentação de abertura que ficou a cargo de Rafael Witt, que foi convidado pelo próprio The Lumineers a participar dos três shows em solo brasileiro após uma comoção do cantor pelas redes sociais. Rafael foi acompanhado pelo percussionista Kabé Pinheiro e o sanfoneiro Vito, que fizeram uma versão inusitada de “Lose Yourself”, do Eminem, no ponto alto do show.
Voltando a banda principal da noite, o público realmente é parte do The Lumineers; “Flowers In Your Hair”, “Angela” e “Ho Hey” provaram isso logo na primeira parte da apresentação, com a plateia tomando pra si as canções e quase tornando o grupo coadjuvante do próprio espetáculo.
Ver essa foto no Instagram
A noite contou ainda com hits que passearam por toda a discografia da banda, como “Big Parade”, “A.M. Radio”, “Gale Song” e “Donna”, dos álbuns The Lumineers (2012), Brightside (2022), Cleopatra (2016) e III (2019), respectivamente, além de seis músicas do disco mais recente, Automatic (2025): “Asshole”, “Ativan”, “Automatic”, “Same Old Song”, “So Long” e “You’re All I Got”, e claro, os sucessos “Stubborn Love” e “Cleopatra”.
Um dos elementos mais interessantes do show é a dança constante dos músicos. Instrumentos mudando de mãos, posições sendo reorganizadas, a sensação é a de que todos ali poderiam tocar tudo, como se a banda se recusasse a se fixar em papéis rígidos e criando uma ideia de coletividade, enquanto constroem essa linha entre o grupo e o público, em uma fórmula que desenvolvem desde as primeiras apresentações, com um clímax que chega sempre na hora certa e os silêncios milimetricamente posicionados.
The Lumineers é uma banda, acima de tudo, consistente e inteligente, que viu nessa fórmula das apresentações se tornarem um encontro, a chance de sempre levarem o melhor espetáculo para os fãs, mesmo que raramente surpreenda. A banda segue cumprindo o que promete, sem se arriscar e inevitavemente sem errar, o que pode ser bom ou tornar a experência de vê-los ao vivo cada vez mais previsível.
Setlist do show de São Paulo:
- Same Old Song
- Flowers in Your Hair
- Angela
- You’re All I Got
- A.M. RADIO
- Asshole
- Gale Song
- Donna
- Ho Hey
- Dead Sea
- Brightside
- Sleep on the Floor
- Gloria
- Where We Are
- Ativan
- Charlie Boy
- Leader of the Landslide
- Slow It Down
- Automatic
- Ophelia
- Big Parade
- My Eyes
- So Long
- Cleopatra
- Stubborn Love
Ver essa foto no Instagram
LEIA TAMBÉM: L7NNON vence Yoko Ono na Justiça e mantém nome artístico
O post The Lumineers e sua catártica festa folk apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.
