Zona Zen, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, é relançado em edição especial

Escrito em 30/01/2026
Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

A nova versão do álbum de 1988 será distribuído pela Universal Music, em LP vermelho marmorizado

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Relançamento de

No final de 1988, Zona Zen, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, teve a missão de ser o sucessor de Flerte Fatal, disco de sucesso do casal que adentrou as paradas de sucesso e teve uma enorme turnê dedicada a ele. A capa em preto e branco do novo álbum já dava sinais de que os dois trabalhos não seriam parecidos. Com uma densidade paulistana, todos os aspectos do projeto são dedicados à cidade: da foto da capa, cheia de grafites de Mauricio Villaça em um muro da Rua Purpurina, na Vila Madalena, ao som mais urbano e majoritariamente pesado. 

Nas músicas, Lee apresenta a maneira como enxergava a si mesma e o mundo à sua volta, na maior parte das vezes com um olhar bastante afiado e sem festa. Agora, a Universal Music Brasil relança o álbum em vinil vermelho marmorizado, com artes e encartes originais. Todas as informações sobre o projeto e a reestruturação estão disponíveis no site oficial da Universal.

Nunca Fui Santa”, música e letra de Rita, explora uma mistura de autodeboche com autoterapia, com letras como “Sou nova demais pra velhos comícios / Sou velha demais pra novos vícios”. “Independência e Vida” segue no setlist, também solo da cantora, com um olhar um tanto desgostoso para o mundo, mas apontando a saída naquilo que ela sempre prezou: a liberdade. “Dia desses meu chapa/ Sumo do mapa/ Vou pra zaca do lhoraca/ Viver sei lá de quê/ Talvez de brisa”. O palavrão camuflado é um toque especial de quem havia enfrentado a censura durante anos.

Em nota, o estudioso do legado de Rita Lee Guilherme Samosa descreve o disco é descrito como “um belo registro da voz de Rita, linda e cristalina, com produção impecável de Roberto e na medida certa para cada canção”. No álbum, o artista toca guitarra, violão, teclados e piano, além de fazer a programação da bateria eletrônica. Rita, além da voz e dos vocais, toca autoharp, castanholas e kalimba.

Livre Outra Vez” é o maior sucesso do projeto, com clipe gravado no centro de São Paulo. Algumas das locações são a Estação da Luz, nos trens, na escadaria e no topo do Copan. A letra e a voz de Rita tocam profundamente em uma canção que é uma das mais doloridas de toda a sua carreira. Originalmente de Roberto, de música foi a primeira versão de “Vírus do Amor” (do disco de 1985, que também tem a capa em preto e branco). Com a mudança de planos, Lee acabou colocando essa nova letra na canção. A faixa-título é misteriosa e melancólica, marcada pelas castanholas de Rita e pelos teclados de Roberto.

Cruela Cruel” é uma canção desiludida, com versos como “Sou um ninho no estranho / Mundo perigoso, insano / Nexo, yogas e roquebrou / Nunca a vida se mostrou assim tão cruela cruel”. As músicas mais animadas do álbum são regravações. “Sem Endereço” (versão de Rossini Pinto para “Memphis Tennessee”, de Chuck Berry), de Wanderléa e “Cecy Bom”, versão de Rita para “C’est si bon”, de Henri Betti e André Hornez. A futura trilha sonora da novela Caras & Bocas, da TV Globo, é a preferida da cantora, que descreve a canção como “uma homenagem a Brigitte Bardot quando veio ao Brasil”.

Mana Mané”, com música e letra de Rita, fecha o disco. A canção aborda o episódio conhecido como “verão da lata”, quando toneladas de cannabis apareceram flutuando no mar brasileiro, no fim de 1987.

O clima mais denso fez com que Zona Zen tivesse vendas inferiores às de Flerte Fatal. Mesmo com apenas 130 mil cópias vendidas, o álbum foi certificado com Disco de Ouro.

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