As 6 melhores músicas do álbum ‘Bully’, de Ye

Escrito em 29/03/2026
ROLLING STONE EUA

O projeto tão aguardado estreou durante uma audição online conduzida por Ye

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Kanye West (Foto: Matt Winkelmeyer/Getty Images)

Ye — anteriormente conhecido como Kanye West — revelou oficialmente seu aguardado novo álbum de estúdio, Bully, marcando um retorno muito esperado à música após anos de atrasos e controvérsias públicas.

Estreado na sexta-feira, 27 de março, durante uma audição online, Bully é o primeiro trabalho solo completo de Ye desde Donda 2 (2022). O título do projeto foi inspirado em seu filho, Saint West, e conta com Travis Scott e Nine Vicious.

O 12º álbum de estúdio do rapper chega após uma tempestade de polêmicas por conta de falas antissemitas e batalhas judiciais em andamento. Nos últimos meses, Ye pediu desculpas por esses comentários, em uma aparente tentativa de reparação por sua retórica de ódio e de redirecionar a atenção do público para sua arte. Enquanto isso, Ye continuou ativo musicalmente, lançando vários singles e colaborando intensamente com Ty Dolla $ign em sua série de álbuns Vultures.

Embora Bully ainda não tenha chegado aos serviços digitais, a versão que estreou incluiu faixas já lançadas como “Beauty and the Beast” e “Preacher Man”, gerando burburinho entre fãs que aguardam desde o anúncio inicial do álbum, em 2024. O lançamento pouco convencional de Bully remete aos eventos de audição anteriores de Ye. Ainda assim, a especulação segue alta sobre quando o álbum vai, de fato, chegar às plataformas de streaming.

Depois de ouvir Bully de Ye do começo ao fim, estas são as seis músicas das quais não conseguimos enjoar.

6. “Sisters and Brothers”

Em “Sisters and Brothers”, Ye entrega uma declaração admirável, ainda que conflituosa, que costura consciência social com uma bravata sem desculpas. Sobre uma base dura, que faz a cabeça balançar — “back with the head-taps and the head-benders”, como ele descreve —, ele alterna entre reflexão e ostentação.

Versos como “It’s finna get a lot more dangerous” sugerem um desconforto dentro de sua comunidade, enquanto o corte afiado “they say I’m blacking out like Akon/I’m feeling more Khan like Genghis” justapõe vulnerabilidade e conquista. A menção de Ye à sua pausa reforça sua presença persistente, mesmo na ausência.

5. “Father” com Travis Scott

Father” explode com uma energia inquieta que faz dela uma das audições mais revigorantes de Bully. Construída em torno de um sample vocal soul de Johnnie Frierson, a faixa mistura tons de gospel com um impulso contundente.

O reencontro com Travis Scott soa natural, dando continuidade a uma química já comprovada, com os dois trocando versos animados e cortantes. Ye dita o ritmo, enquanto Scott iguala a intensidade com uma cadência igualmente implacável. A quebra ainda acena para o espírito do clássico Watch the Throne (2011), “Otis”, reimaginado com um toque moderno, tornando “Father” um destaque de alto impacto.

4. “King”

Coroada por urgência e por uma auto-mitologia, “King” é uma das exibições líricas mais impressionantes de Ye em Bully. Ancorado por um sample vocal de Duke Edwards & the Youngones, Ye se coloca no centro do triunfo e da reflexão.

Ele equilibra bravata e introspecção, rimando frases como “The hatin’ just brought me more love” e “Some of my love ones turned lost ones”, mesclando perda pessoal, indulgência e comentários sociais. Referências a Daddy Warbucks, carros de luxo e Martin Luther King Jr. situam sua jornada em molduras culturais e míticas, fazendo da faixa uma mistura sombria de ego, coração e intelecto.

3. “Preacher Man”

Abrindo com um sample soul de “To You With Love”, do The Moments, “Preacher Man” fisga o ouvinte imediatamente, tornando-se uma das faixas mais agradáveis e de maior destaque.

Sobre um fundo suave, guiado pelo instrumental, Ye mistura desafio com pensamentos de traição, rimando linhas como “Nobody finna extort me/Even if they record me, I’ma keep it more G” e “They switchin’ sides, I seen it comin’/The plot twist, a convenient one.”

Equilibrando tensão e atitude, “Preacher Man” é envolvente e fluida, mostrando a habilidade de Ye de unir sagacidade narrativa com um ritmo viciante.

2. “All the Love”

All the Love” mostra Ye criando uma faixa inesperadamente viciante, que revela mais a cada audição. Ancorada por bateria pulsante e sintetizadores brilhantes, a música abre com um canto eletrônico — “We left all the pain behind” — estabelecendo um tom de libertação e renovação.

Aqui, Ye aposta mais na melodia, cantando linhas como “Now, you’ve got all the love and all the shine”, com uma vulnerabilidade que lembra 808s & Heartbreak (2008), enquanto a aspereza mecânica remete a Yeezus (2013). O resultado é uma mistura de eras que cresce aos poucos.

1. “I Can’t Wait”

Em “I Can’t Wait”, Ye mergulha em uma sensibilidade vintage, ricamente texturizada, que remete aos cantos mais cativantes de seu catálogo. Construída a partir de um recorte inteligente do remake de 1982 de “You Can’t Hurry Love”, de Phil Collins, a faixa sobrepõe órgãos quentes a uma percussão pesada e deliberada.

A entrega de Ye soa urgente e reflexiva, especialmente em versos como “I died and rearranged and moved my mind for it”, equilibrando intensidade e nitidez. Seus comentários mais incisivos — rejeitando distrações de divisão e abraçando o amor — chegam com propósito. “I Can’t Wait” é uma composição focada e soulful, ao mesmo tempo nostálgica e revitalizada, ecoando uma versão de Ye que fãs do Yeezy há muito apreciam.

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