Sequência do filme de 2021 chega aos cinemas a partir desta quinta-feira (7) apresentando Karl Urban (The Boys) como Johnny Cage
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Nos últimos anos, Hollywood descobriu um caminho relativamente seguro para adaptar videogames ao cinema: apostar em aventuras familiares capazes de atingir o público infantil sem afastar os adultos movidos pela nostalgia. Foi assim com Super Mario Bros. O Filme (2023), Sonic: O Filme (2020) e suas sequências e, mais recentemente, Um Filme Minecraft (2025), produções que transformaram personagens clássicos dos games em fenômenos de bilheteria ao abraçar um humor leve, visual colorido e histórias acessíveis para todas as idades.
Ainda existe nostalgia nesses títulos, é claro, mas é impossível ignorar como eles dialogam principalmente com uma nova geração. É justamente aí que Mortal Kombat 2 encontra seu espaço: ao invés de suavizar a violência, o filme entende que há um público sedento por algo mais brutal, exagerado e adulto. A classificação para maiores de 18 anos, portanto, é parte essencial de sua identidade.
O Mortal Kombat anterior, lançado em 2021, até tentou modernizar a franquia, mas acabou tropeçando na escolha de Cole Young (Lewis Tan, Golpes de Vingança) como protagonista, algo que incomodou grande parte do público, especialmente pela sensação de que ele era um personagem genérico escrito apenas para apresentar aquele universo.
Além disso, o longa parecia excessivamente preocupado em preparar terreno para continuações futuras, segurando o torneio que inspira a história e, no processo, desperdiçando personagens clássicos queridos pelos fãs. O resultado foi um filme sem personalidade o suficiente para capturar a essência caótica e divertida dos games.
Após tantas críticas e uma bilheteria decepcionante, para pensar a sequência — que coloca os campeões do plano Terreno para enfrentar o regime tirânico de Shao Kahn (Martyn Ford, Jogada Final), governante da Exoterra —, a produção teve trabalho. O diretor Simon McQuoid retornou, agora adaptando o roteiro de Jeremy Slater (The Umbrella Academy), que chega em substituição a Greg Russo e David Callaham (Mulher-Maravilha 1984), dupla de roteiristas do longa anterior.
Além dessas novidades nos bastidores, a entrada de Karl Urban (The Boys) como Johnny Cage, novo protagonista da história, muda completamente a energia da produção, trazendo o carisma debochado e o espírito canastrão que sempre fizeram parte da franquia — e com muitas referências zombeteiras à cultura pop atual em seus diálogos.
Mortal Kombat 2 abraça sem pudor o estilo noventista dos jogos, entendendo que a franquia nunca foi sobre realismo, mas sobre exagero estilizado, frases de efeito, rivalidades absurdas e litros de sangue digital espalhados pela tela. Desde a escolha do novo protagonista até a decisão de dar ao torneio o peso necessário, tudo parece pensado para evitar grandes riscos e simplesmente entregar ao público aquilo que ele quer ver. E funciona muito bem.
Esse DNA assumidamente inspirado pelos blockbusters dos anos 1990 transforma o filme em algo surpreendentemente divertido. O roteiro sabe brincar com o próprio absurdo enquanto mergulha em violência, lutas coreografadas e confrontos que finalmente fazem jus ao material original — prepare-se para ouvir as icônicas frases de efeito “get over here“, “finish him!” e outras, que são caras aos fãs dos games.
Além disso, também é interessante como a sequência entende como utilizar melhor seus personagens, principalmente Kitana (Adeline Rudolph, Hellboy e o Homem Torto), que ganha uma jornada emocional eficiente, equilibrando vulnerabilidade e força em meio ao caos. Josh Lawson (O Escândalo) retorna como Kano e, novamente, rouba a cena com os melhores momentos cômicos da produção. Enquanto isso, é bom ver veteranos como Hiroyuki Sanada (Xógum: A Gloriosa Saga do Japão) e Tadanobu Asano (Ichi, o Assassino) ajudando a reforçar o peso mitológico daquele universo como Scorpion e Lord Raiden.
O grande mérito de Mortal Kombat 2 é perceber que uma adaptação não precisa ter vergonha de sua origem. Em vez de tentar transformar a franquia em algo excessivamente sério, o filme abraça a cafonice que fez as adaptações dos anos 1990 se tornarem cults e a nostalgia brutal que sempre definiram os jogos.
O resultado talvez não alcance a inventividade de outras superproduções do século XXI, mas certamente entrega a melhor adaptação em live-action de Mortal Kombat até agora. No fim, o longa encontra equilíbrio entre fan service, pancadaria, humor e personalidade. E, para uma franquia construída em cima de excessos, isso faz toda a diferença.
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